segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mostra de Iniciação Científica - UNISINOS

A Universidade do Vale do Rio dos Sinos tem como tradição realizar, uma vez ao ano, a Mostra de Iniciação Científica, cuja finalidade é proporcionar um espaço de trocas de experiências entre os estudantes em incursão científica. Assim, todos os anos essa mostra reúne alunos pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, os quais são avaliados por banca examinadora. Aqueles estudantes universitários que se interessam por Arqueologia podem adquirir, conforme disponibilidade, bolsas de Iniciação Científica junto ao IAP, onde são orientados pelo Prof. Dr. Pedro Ignácio Schmitz ou pelo Prof. Dr. Jairo Rogge.
Durante a última mostra, dois bolsistas de IC do IAP apresentaram os resultados inicias de suas pesquisas arqueológicas, sendo eles Jefferson Nunes e Ranieri Rathke, ambos do curso de História.
Jefferson está há dois anos desenvolvendo pesquisas junto ao IAP. Este ano, sob orientação do Dr. Schmitz, ele apresentou o trabalho “O Guarani no Alto Vale do Rio dos Sinos”, o qual está vinculado ao projeto A Ocupação Guarani do Vale do Rio dos Sinos. O enfoque da pesquisa esteve no sítio arqueológico Monte Serrat 1 e 2, caraterístico da ocupação Guarani da região. Para ele:

Apresentar na MIC é sempre uma grande experiência, já que nos permite estar em maior contato com nossos pares, mostrar nosso trabalho e aprender com a pesquisa dos colegas. É uma possibilidade de grande importância inclusive para desenvolver a oratória, pois melhora o desempenho nas apresentações acadêmicas. Certamente me tornarei um acadêmico melhor a cada apresentação do tipo que tiver a oportunidade de participar”.
Mapa da localização do sítio arqueológico estudado por Jefferson. 

Mostra de material lítico retirado do sítio arqueológico estudado por Jefferson.

Ranieri Rahtke está há 1 ano e 4 meses no IAP e este ano ele também apresentou pesquisa sobre o povoamento dos Guarani, porém de diferente sítio. Seu enfoque esteve no RS-S-278, localizado à margem direita do baixo curso do rio dos Sinos. Esse sítio arqueológico encontra-se em área elevada, circundado por banhado. Nele foi encontrado abundância de material lítico e cerâmico que servem de base para a sua análise. Nas palavras desse aluno, a mostra é:
“sempre uma oportunidade para além de expor o trabalho, possibilitar uma maior inserção no mundo acadêmico, aprendizagem e interação através da apreciação de trabalhos de outras áreas, permitindo uma maior dinamização do conhecimento e capacitação do aluno de graduação para uma possível sequência no degrau acadêmico”.
Área do sítio arqueológico analisado por Ranieri
Desenho das bordas cerâmicas analisadas por Ranieri

quarta-feira, 15 de junho de 2016

O cálice de Augusto Servanzi

Dentre os inúmeros objetos litúrgicos encontrados no Museu Capela da Unisinos, um me chamou a atenção entre os demais. Um pequeno cálice metálico, desgastado pelo tempo, mas com uma enorme importância histórica. Ao examiná-lo, encontramos gravado em sua base (em latim) a seguinte descrição:

“Leão XIII, Pontífice Máximo, a 26.10.1878 recebeu com vulto benigno a Augusto Servanzi S.J., que estava começando sua viagem ao Brasil, e lhe deu de presente o altar (provavelmente o altar portátil que incluiria o cálice) que fora presenteado ao Papa Pio IX a 21 de maio de 1877, dia do seu jubileu áureo de dignidade episcopal. A.A.S.J.”

Conforme registro encontrado no livro de Inácio Spohr, “Memória dos 665 Jesuítas da Província do Brasil Meridional – Novembro de 1867 – Novembro de 2011”, Padre Augusto Servanzi nasceu em San Severino, Macerata, Itália, em 20 de agosto de 1840. Em 1865 já era sacerdote quando decidiu ingressar na Companhia de Jesus. Em 1871 foi enviado para a Missão no Brasil Central, onde foi professor e prefeito no Colégio de Recife, Pernambuco, de 1872 a 1874. Em seguida, assumiu os mesmos cargos no Colégio São Luis de Itu, no estado de São Paulo, no período de 1875 a 1877. Mais tarde, dirige-se ao Sul do Brasil, assumindo as funções de superior, ecônomo e missionário no Colégio Sagrado Coração de Jesus, na Ilha do Desterro, hoje, Florianópolis, Santa Catarina, de 1877 a 1879.
Padre Augusto foi responsável direto pelo encaminhamento religioso de Amabile Lucia Visintainer, que anos mais tarde viria a ser conhecida como Irmã Paulina (agora Santa Paulina). Servanzi ainda deu missão em Lages, Santa Catarina e, em abril de 1888, partiu para Goiás, percorrendo mais de 3.000 km a cavalo, para chegar aos índios Apinagé com os quais trabalhou por alguns anos até ser designado para o estado de Pernambuco, onde faleceu em 22 de maio de 1891, aos 50 anos de idade, sendo 25 destes dedicados ao sacerdócio.
Nesse pequeno relato, sem aprofundar-me em maiores detalhes históricos, quero exemplificar quanta informação pode carregar um simples objeto, muitas vezes abandonado em condições impróprias. Um cálice, que pertenceu a dois Papas, cruzou o Atlântico nas mãos de um padre que percorreu o Brasil e  teve um papel importante no caminho de uma religiosa que se tornou santa. O objetivo do Museu Capela da Unisinos é justamente recuperar e preservar a memória da história jesuíta, parte integrante da história dos colonizadores a partir do século XIX.
O museu recebe frequentemente visitas de escolas e é emocionante ver o olhar das crianças perante os objetos expostos. Sempre acompanhados por monitores que os orientam, os estudantes têm a fantástica experiência do contato material com a História.  Muitas vezes, essas visitas são acompanhadas pelo Padre Pedro Ignácio Schmitz, que sempre emocionado, conta a história do “Lixo que virou Luxo”, fazendo alusão aos objetos que estavam abandonados e finalmente receberam um lugar de destaque.

O Museu Capela Unisinos é um local para ser visitado sem pressa. Apesar de pequeno em espaço, oferece aos visitantes objetos ricos em detalhes que trazem consigo o valor histórico e religioso de nosso povo.

Texto produzido por Márcio de Mattos Rodrigues, aluno do curso de História da UNISINOS.

Referências:

Memória dos 665 Jesuítas da Província do Brasil Meridional – Novembro de 1867 – Novembro de 2011 – Padre Inácio Spohr, SJ. – Editora Padre Reus
Paróquia São Sebastião – Diocese de São Carlos - SP
Família Madre Paulina Brasília – História de Santa Paulina
Madre Paulina, a coloninha – Fidélis Dalcin Barbosa – Edições Loyola – 11 edição. 2005
Ser para os outros – Perfil biográfico de Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus – Amabile Visintainer – 1865 -1942 – Célia B. Cadorin - Edições Loyola. 2 edição. 2002


quarta-feira, 27 de abril de 2016

60 anos de Instituto Anchietano de Pesquisas

Fundado em 22 de abril de 1956, o Instituto Anchietano de Pesquisa (IAP) completa 60 anos. No seu início, tinha o objetivo de congregar jesuítas da província meridional da Ordem que, nos colégios e na missão de Diamantino, no estado do Mato Grosso, realizavam pesquisas científicas em campos da Química, da História Natural, da Antropologia, da Arqueologia e da História. Nesse tempo, o intuito do instituto também era o de facilitar a publicação dos seus trabalhos, de manter e divulgar os acervos por eles reunidos e garantir a continuidade de seus projetos.
Com o surgimento da UNISINOS vários desses campos passaram para a universidade. Nos dias de hoje, o IAP se dedica à realização de pesquisas arqueológicas, biológicas, botânicas e a publicação dos resultados de seus trabalhos no periódico Pesquisas. Mantém o herbário com 140.000 exemplares, totalmente online, que desde 2014 até hoje teve seis milhões e trezentos mil acessos. Desenvolve atividades com plantas medicinais. A equipe de arqueologia realiza pesquisas em grande parte do território brasileiro. Criou um Museu Capela e um Museu Arqueológico abertos ao público e às escolas da área.
Com o intuito de comemorar nossos 60 anos de atividade, esperamos realizar ao longo do ano novas postagens sobre a história do Instituto e suas funções, ressaltando a sua importância enquanto lugar de produção e divulgação de conhecimento.
Você pode agendar uma visitação guiada aos museus do IAP através do nosso endereço eletrônico anchietano@unisinos.br. Também é possível apreciar um pouco mais dos trabalhos do IAP através do site: http://www.anchietano.unisinos.br/.


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Museu de Arqueologia do IAP - UNISINOS

Conforme já mencionado em postagens anteriores, o Instituto Anchietano de Pesquisas (IAP) possui dois museus abertos ao público (o Museu de Arqueologia e o Museu Capela), ambos localizados na Universidade do Vale do Rio dos Sinos.
Como adentramos do mês do índio, aproveitaremos para apresentar um pouco do acervo presente no Museu de Arqueologia, aberto para visitações mediante agendamento prévio. Esse museu abriga inúmeros artefatos, produzidos por diferentes sociedades indígenas que se desenvolveram no território compreendido pelo Brasil e outros países da América. Ele possui um espaço destinado às culturas indígenas antigas e também às atuais.
Um dos seus objetivos é mostrar a diversidade de culturas indígenas presente no nosso continente, a fim de superar a ideia de que todos os grupos nativos da América eram (ou são) muito similares. Nesse sentido, os mediadores procuram conversar com o público acerca das diferentes formas de assentamento adotadas por cada grupo indígena, das diferentes culturas materiais produzidas por elas, das diversas maneiras de cada um sepultar e tratar os seus mortos, entre outros aspectos relevantes para se compreender a história humana.
Faz parte da experiência da visita aprender sobre o papel do arqueólogo, bem como das suas escavações na tarefa de construção da história das sociedades indígenas. Nesse sentido, o museu também possui alguns dos materiais básicos de escavações, possibilitando ilustrar a atividade em campo. O espaço também conta com uma coleção osteológica, formada por remanescentes de animais que interagiram com as sociedades americanas.

Segue abaixo algumas imagens de artefatos indígenas confeccionados, em geral, em séculos anteriores a chegada dos europeus:

1. Artefatos cerâmicos:





 2. Artefatos líticos




 3. Artefatos produzidos com ossos de animais





 4. Artefatos em madeira


5. Artefato confeccionado a partir de couro



Após esta breve apresentação, deixamos o convite para que venham visitar o Museu de Arqueologia. Os professores da rede pública ou privada podem agendar visitações para os seus alunos, proporcionando um complemento ao ensino da sala de aula.

O agendamento pode ser realizado através do e-mail anchietano@unisinos.br



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Escavação arqueológica em São José do Cerrito - Janeiro de 2016

O Instituto Anchietano de Pesquisas, sob a coordenação do Dr. Pedro Ignácio Schmitz, anualmente realiza escavações arqueológicas em São José do Cerrito, SC, município com grande concentração de “casas subterrâneas”. Essas casas são atribuídas ao povoamento Jê Meridional ou, mais especificamente, aos grupos Kaingang e Xokleng.  
O objetivo das escavações é ampliar o conhecimento sobre o povoamento indígena antigo, buscando desvendar alguns dos mistérios que as casas subterrâneas apresentam.
Os arqueólogos da equipe, basicamente, procuram realizar cortes em busca de amostras de carvão, de objetos materiais (é comum a presença de fragmentos cerâmicos, mãos de pilão e lascas de quartzo) e de elementos que possam desvendar a forma de ocupação do sítio arqueológico. Um aspecto importante é que através do carvão se pode datar as estruturas subterrâneas, o que possibilita compreender de forma mais plena o desenvolvimento das sociedades indígenas da região. 
Abaixo, segue algumas imagens da última escavação da equipe do IAP, realizada durante o mês de janeiro desse ano.

A equipe da segunda etapa a partir da esquerda: Vagner Perondi, aluno de Arquitetura; Marcus Vinicius Beber, professor doutor; Jeferson Nunes, aluno de História, Ranieri Rathke, aluno de História, Pedro Ignácio Schmitz, professor doutor, Raul Viana Novasco, doutorando de Arqueologia; Suliano Ferrasso, biólogo. Na primeira etapa estavam ainda Jairo H. Rogge, professor doutor, Natália M. Mergen, mestranda em Arqueologia e Rafaela Nogueira, aluna de Biologia. Foto S392.

A boca de uma casa subterrânea de 15 m de diâmetro e 4,80 m de profundidade. Foto S128.
Limpando uma casa subterrânea como a do número 2: Suliano Ferrasso, Raul V. Novasco,  Rafaela Nogueira, Natália M. Mergen e Vagner Perondi. Foto S032.

Suliano Ferrasso escavando o interior de uma casa. Foto S293.
Jairo H. Rogge e Rafaela Nogueira escavando uma casa pequena. Foto S120.
Raul Novasco e Raniere Rathke escavando o aterro de cremação dos mortos. Foto S304.