Dentre
os inúmeros objetos litúrgicos encontrados no Museu Capela da Unisinos, um me
chamou a atenção entre os demais. Um pequeno cálice metálico, desgastado pelo
tempo, mas com uma enorme importância histórica. Ao examiná-lo, encontramos
gravado em sua base (em latim) a seguinte descrição:
“Leão XIII, Pontífice Máximo, a
26.10.1878 recebeu com vulto benigno a Augusto Servanzi S.J., que estava
começando sua viagem ao Brasil, e lhe deu de presente o altar (provavelmente o
altar portátil que incluiria o cálice) que fora presenteado ao Papa Pio IX a 21
de maio de 1877, dia do seu jubileu áureo de dignidade episcopal. A.A.S.J.”
Conforme registro encontrado no livro
de Inácio Spohr, “Memória dos 665 Jesuítas da Província do Brasil Meridional –
Novembro de 1867 – Novembro de 2011”, Padre Augusto Servanzi nasceu em San
Severino, Macerata, Itália, em 20 de agosto de 1840. Em 1865 já era sacerdote
quando decidiu ingressar na Companhia de Jesus. Em 1871 foi enviado para a
Missão no Brasil Central, onde foi professor e prefeito no Colégio de Recife,
Pernambuco, de 1872 a 1874. Em seguida, assumiu os mesmos cargos no Colégio São
Luis de Itu, no estado de São Paulo, no período de 1875 a 1877. Mais tarde,
dirige-se ao Sul do Brasil, assumindo as funções de superior, ecônomo e
missionário no Colégio Sagrado Coração de Jesus, na Ilha do Desterro, hoje,
Florianópolis, Santa Catarina, de 1877 a 1879.
Padre Augusto foi responsável direto
pelo encaminhamento
religioso de Amabile Lucia
Visintainer, que anos mais tarde viria a ser conhecida como Irmã Paulina (agora
Santa Paulina). Servanzi ainda deu missão em Lages, Santa Catarina e, em abril de 1888, partiu para
Goiás, percorrendo mais de 3.000 km a cavalo, para chegar aos índios Apinagé
com os quais trabalhou por alguns anos até ser designado para o estado de
Pernambuco, onde faleceu em 22 de maio de 1891, aos 50 anos de idade, sendo 25
destes dedicados ao sacerdócio.
Nesse pequeno relato, sem aprofundar-me em
maiores detalhes históricos, quero exemplificar quanta informação pode carregar
um simples objeto, muitas vezes abandonado em condições impróprias. Um cálice,
que pertenceu a dois Papas, cruzou o Atlântico nas mãos de um padre que
percorreu o Brasil e teve um papel
importante no caminho de uma religiosa que se tornou santa. O objetivo do Museu
Capela da Unisinos é justamente recuperar e preservar a memória da história
jesuíta, parte integrante da história dos colonizadores a partir do século XIX.
O museu recebe frequentemente visitas de
escolas e é emocionante ver o olhar das crianças perante os objetos expostos.
Sempre acompanhados por monitores que os orientam, os estudantes têm a
fantástica experiência do contato material com a História. Muitas vezes, essas visitas são acompanhadas
pelo Padre Pedro Ignácio Schmitz, que sempre emocionado, conta
a história do “Lixo que virou Luxo”, fazendo alusão aos objetos que estavam
abandonados e finalmente receberam um lugar de destaque.
O Museu Capela Unisinos é um local
para ser visitado sem pressa. Apesar de pequeno em espaço, oferece aos
visitantes objetos ricos em detalhes que trazem consigo o valor histórico e
religioso de nosso povo.
Texto produzido por Márcio de Mattos Rodrigues, aluno do curso de História da UNISINOS.
Texto produzido por Márcio de Mattos Rodrigues, aluno do curso de História da UNISINOS.
Referências:
Memória dos 665 Jesuítas da Província
do Brasil Meridional – Novembro de 1867 – Novembro de 2011 – Padre Inácio
Spohr, SJ. – Editora Padre Reus
Paróquia São Sebastião – Diocese de
São Carlos - SP
Família Madre Paulina Brasília – História de
Santa Paulina
Madre
Paulina, a coloninha – Fidélis Dalcin Barbosa – Edições Loyola – 11 edição.
2005
Ser
para os outros – Perfil biográfico de Madre Paulina do Coração Agonizante de
Jesus – Amabile Visintainer – 1865 -1942 – Célia B. Cadorin - Edições Loyola. 2
edição. 2002
Nenhum comentário:
Postar um comentário