sexta-feira, 18 de junho de 2021

ESCULTURAS MISSIONEIRAS NA UNISINOS

Hoje são conhecidas mais de três mil estátuas de madeira, originárias das reduções da Província jesuítica do Paraguay. Elas se distribuíam abundantemente em igrejas e capelas, com o sentido de trazer os santos para a vida cotidiana dos moradores.

Os santos eram os do momento. Na coleção do Instituto Anchietano de Pesquisas, recolhidas nas reduções do noroeste do Rio Grande do Sul, há três esculturas do Arcanjo São Miguel, lembrando o conflito com os bandeirantes; quatro de jesuítas dos primeiros momentos da Ordem (duas esculturas de Santo Inácio de Loyola, uma de São Francisco Xavier, uma de São Luiz Gonzaga); uma escultura de Maria Imaculada; uma de Santo Antônio de Pádua; uma de Santo Izidro, que acompanhava o trabalho coletivo dos jovens no campo; o pastor de um presépio; uma cabeça de anjo; e uma grande cruz com o corpo de Cristo em tamanho natural, que era articulado e podia ser usado levantado na cruz ou deitado no caixão, nas cerimônias da Semana Santa.

Elas foram encontradas em antigas igrejas, capelas e casas, no início do século XX, quando ali se estabeleceram colonos de origem alemã, acompanhados de jesuítas. Não se consegue identificar quem, entre esses padres, recolheu qual estátua. Podem ter sido João Hafkemeyer, Ambrósio Schupp, José ou Max von Lassberg, João E. Rick, Luiz Gonzaga Jaeger, ou Balduíno Rambo, que as levaram ao Ginásio Conceição em São Leopoldo, o centro de atividade dos jesuítas, na época

Quando o Ginásio Conceição foi encerrado em São Leopoldo, e substituído pelo Ginásio Anchieta em Porto Alegre, na segunda década do século XX, algumas esculturas mais conservadas acompanharam a transferência: o grande Cristo crucificado, Francisco Xavier com bastão de caminhante e São Francisco Xavier morrendo entre os juncos de uma ilha chinesa. As demais esculturas ficaram em São Leopoldo, no Seminário que passou a ocupar o prédio do antigo Conceição, onde os jesuítas que administravam o Seminário continuaram morando e onde também se formavam seus estudantes. 

Quando, em 1942, os jesuítas deixaram de morar no Seminário e fundaram uma instituição para a formação de seus estudantes (o Colégio Cristo Rei), na periferia da cidade, as esculturas que ainda estavam no Seminário os acompanharam à nova instituição. As mais bem conservadas (a Imaculada Conceição e o São Miguel de Brasanelli) ficaram expostos em salas da nova instituição. O São Miguel maior (muito desconjuntado) foi dado ao Instituto Anchietano de Pesquisas e com ele migrou entre Porto Alegre e São Leopoldo.

As esculturas missioneiras reunidas pelos jesuítas adquiriram novo foco e valor a partir da terceira década do século XX, com a fundação do IPHAN, o levantamento feito nas Missões por Lúcio Costa, o restauro da igreja de São Miguel, a construção do Museu das Missões, a declaração como patrimônio público e, posteriormente, as escavações e mais atividades nas ruínas. Como consequência, na última década do século XX as esculturas reunidas pelos jesuítas foram juntadas no Instituto Anchietano de Pesquisas. Algumas estavam mais conservadas, outras muito deterioradas, faltando pedaços ou com as bases apodrecidas; algumas não eram mais que fragmentos de difícil identificação. Ali elas foram restauradas, à maneira italiana, por Suzana Cardoso, especialista indicada pelo IPHAN, que também providenciou seu registro nesse órgão nacional.

Pensando no seu valor e representatividade, podem-se distinguir claramente aquelas produzidas por escultores, locais ou europeus, outras são produto de ateliês indígenas que havia em todas as reduções maiores, outras, por fim, são mistas, juntando elementos comprados em ateliês europeus (especialmente cabeças e mãos de santos) com acabamento do resto do corpo feito nos ateliês locais. As mãos compradas eram só encaixadas na extremidade dos braços e, por isso, muitas se perderam; entre a cabeça e o resto do corpo também se percebe a descontinuidade e, muitas vezes se percebe a diferença na execução. Observando as esculturas cuidadosamente, você se dará conta. 

Com a recente transferência do Instituto Anchietano de Pesquisas dos prédios do centro de São Leopoldo para o Campus da Unisinos, todas as estátuas (menos a de São Francisco Xavier, que ficou na igreja do Colégio Anchieta, em Porto Alegre), ficaram expostas na sala de Memória Sacra, junto ao saguão da biblioteca dessa Instituição, onde são apreciadas por alunos das escolas da região, universitários e visitantes interessados. Você também é convidado.

A maior parte já apareceu em postagens anteriores. Nesta, resolvemos juntá-las novamente. Nas imagens a seguir só não aparece a cabeça de anjo e um fragmento de manto.



Um conjunto de esculturas; a partir da direita: Santo Inácio, a Imaculada, Santo Inácio, Santo Antônio, São Luiz Gonzaga, Santo Izidro lavrador, São Miguel, de vestir. No centro da imagem vislumbra-se a pequena escultura de São Francisco Xavier morrendo, ladeado pela cabeça de anjo e o fragmento de manto. 






Santo Inácio de Loyola, em traje de trabalho




A imaculada

 



Santo Inácio de Loyola, com vestes litúrgicas, em êxtase


Santo Antônio de Pádua.

 


São Luiz Gonzaga

 


Santo Izidro lavrador



 


São Miguel arcanjo, de vestir

  




O pastor de um presépio, ou o Bom Pastor



 


São Miguel arcanjo, de irmão Brasanelli


 


 

São Miguel arcanjo






O Crucificado, ladeado por Santo Izidro lavrador e São Miguel, de vestir. 

 

  

 

São Francisco Xavier, morrendo entre os juncos numa ilha da China.



 


Cabeça de anjo


Texto e Imagens: Prof. Dr.  Pedro  Ignácio Schmitz

segunda-feira, 7 de junho de 2021

PEDRO IGNÁCIO SCHMITZ, APRENDIZ DE ARQUEÓLOGO


8.2. O contato com missões religiosas portuguesas e brasileiras

 

Antes dos jesuítas espanhóis, os jesuítas portugueses já reuniam índios em missões, que chamavam aldeias ou aldeamentos O regime era diferente e as marcas deixadas são menos grandiosas. 

 

Primeiro

Nosso primeiro contato com guaranis do âmbito das missões portuguesas deu-se no estudo do último povoamento indígena do vale do rio dos Sinos, atribuído ao grupo Carijó, ocupante do litoral meridional do Brasil. Entre estes índios, jesuítas, vindos do Colégio do Rio de Janeiro, tinham estabelecido missões de pequena abrangência e pouca duração no fim do século XVI e primeiras décadas do século XVII. 

Este era um espaço de intensa atividade escravista dos moradores de São Paulo. Um missionário conta que, ao voltar do Rio de Janeiro para continuar o trabalho na missão de Imbituba, encontrou 60 barcos paulistas ancorados em Laguna, à espera de índios. No dizer dos próprios paulistas eles teriam levado ao redor de vinte mil para abastecer suas fazendas agrícolas. 

O posto mais importante de missão dos carijós, se encontrava em Imbituba, SC, que esteve ativo de 1605 a 1607 e, novamente, em 1635. Ele chegou a ter cinco pequenas casas, construídas com troncos de palmeira e cobertas de palha, onde estacionavam dois jesuítas. Ao longo da costa de Santa Catarina e da metade setentrional do Rio Grande do Sul teriam sido criados outros postos de missão, de curta duração e com reduzida penetração ao interior. 

Em 1635, considerando-se impotentes diante dos escravagistas, os missionários embarcaram os poucos convertidos e com eles formaram uma aldeia junto a seu colégio, no Rio de Janeiro. Com isso, todos os carijós, que não morreram de peste ou nos contatos, foram colocados à disposição, ao menos temporária dos colonos lusos e o espaço ficou despovoado de índios.

Os postos dessa missão deixaram poucos vestígios materiais, de identificação segura, mesmo na sede da missão, em Imbituba. Em nossa pesquisa não registramos nenhum. Mas os relatos deixados pelos missionários lusos foram importantes para nossa compreensão da vida social, econômica e material desses guaranis costeiros. Quando comparados com os relatos deixados pelos missionários espanhóis sobre os guaranis do interior, ampliam nossa compreensão do guarani genérico 

Nosso relato está em: O povoamento guarani do vale do rio dos Sinos, Pesquisas, Antropologia 74.


É assim que o missionário descreve as casas da sede da missão, em Imbituba, SC. (Casa de índios Mbiá, RS, foto Denise Schnorr)

 

Segundo

São José de Mossâmedes, GO, foi o primeiro acampamento de nosso Projeto Arqueológico de Goiás, nos cerrados do Brasil Central. E 1973, a cidade era a capital de pequeno município agrícola junto à Serra Dourada, no divisor de águas entre os afluentes do Araguaia/Tocantins e os do rio Paranaíba. 

A cidade nasceu de um assentamento indígena, fundado em 1755 sob a denominação de Aldeia São José, como habitação de índios da região central de Goiás. Sua igreja, que ainda existe, já tinha sido reconstruída em 1774. Em 1780 a aldeia fora elevada a freguesia, em 1845 a distrito de Goiás Velho, em 1953 a município com o nome de Mossâmedes. Em 2021 o município tinha 4.878 habitantes. O plano urbanístico da cidade ainda conserva, como praça central, o pátio da antiga aldeia indígena e sua igreja. 

Durante nossa estada buscamos conhecer os vestígios da aldeia indígena e participar da tranquila vida da comunidade. Lembro que, ao cair da tarde, sentávamos na grande praça, junto com os moradores, para olhar o Jornal Nacional num televisor público. Na Wikipédia há boas fotos da igreja e das casas. 

Após a decadência da mineração, para tirar de circulação os grupos indígenas e liberar o espaço para agricultura e agropecuária, índios de diversas etnias (Akroá, Xavante, Karajá, Javahé, Karijó e Naundez) foram sucessivamente assentados no lugar, onde o governo provincial tinha criado as estruturas necessárias. E, na medida em que um grupo se extinguia ou voltava para o mato, era substituído por outro e este, mais uma vez, por outro. Calcula-se que, assim, teriam passado pelo assentamento uns 8.000 índios. Seus últimos ocupantes foram seiscentos caiapós trazidos, em 1813, do extinto aldeamento de Dona Maria I, onde tinham sido catequizados por Damiana da Cunha, neta de um cacique caiapó. Em 1819 eles já não passavam de 200 e, em 1828, não sobravam mais que 129, que compartilhavam o espaço com população lusa e cabocla. 

Quem nos oferece uma imagem dessa aldeia de índios controlados pelo Estado é Saint-Hilaire, que passou pelo lugar em 1819. ‘Essa povoação, situada no cume de uma colina, e dominada pela Serra Dourada, é rodeada por morros que não são mais altos do que a própria colina; os edifícios, que o constituem, estão dispostos ao redor de um vasto terreiro de 145 passos de comprimento por 112 de largura, e apresentam um conjunto de regularidade perfeita. A igreja, edifício singelo e de bom gosto, ocupa o meio de um dos pequenos lados desse quadrilátero alongado. Em cada ângulo do polígono está um pavilhão de dois pavimentos; as outras construções constam apenas do rez-do-chão. Estas últimas servem, em parte, de morada aos soldados encarregados da guarda dos Caiapós; o general [governador da Capitania de Goiás, depois Barão de Mossâmedes, que fundou a povoação] tem aí também um alojamento muito agradável, e por trás desse há um jardim bem grande, regado por um córrego que foi desviado para o serviço da aldeia; a outra porção, enfim, é utilizada como celeiro, e nele se deposita a colheita das plantações comunais. O resto das construções, originariamente reservado para os índios, está hoje em dia em parte vago, e em parte ocupado por uns cinquenta agregados.’

Os índios não moravam no sólido assentamento construído para eles, mas em choupanas de material perecível, nos arredores, ou em suas roças no meio da mata.

Em 1973, as marcas do aldeamento continuavam muito presentes e nos interessamos por conhece-las, mas nosso objetivo eram as aldeias indígenas de seus antepassados, das quais localizamos 28, que formaram a fase cerâmica Mossâmedes, da tradição Aratu. Esta fase caracteriza a cerâmica de indígenas que moravam em aldeias circulares com até 2.000 moradores e cultivavam as florestas do Mato Grosso de Goiás. Não temos muitas hesitações em atribuir as aldeias pesquisadas aos ascendentes dos Kaiapó do Sul, do tronco linguístico Jê, que, ao tempo da conquista portuguesa, dominavam a região e ofereciam grande resistência aos colonizadores, razão por que foram perseguidos e finalmente aldeados. 

Nossa publicação: Arqueologia do Centro-Sul de Goiás, uma fronteira de horticultores indígenas no Centro do Brasil, em Pesquisas, Antropologia 3, 1982, descreve os achados e conta a história colonial dos índios de Mossâmedes. 

 

Em nossa pesquisa no Pantanal do Mato Grosso do Sul, na década 90 do século passado, nos encontramos com os vestígios de duas missões, do tempo do Império Brasileiro, feitas com índios Guaná, do tronco linguístico Arawak que, a partir de 1750, vinham migrando do Chaco paraguaio para se estabelecer na margem esquerda do rio Paraguai, em território brasileiro. 

 

Terceiro

 Quando estávamos acampados em Albuquerque escavando um sítio arqueológico à beira de um canal, nos demos conta de que na vizinhança do povoado tinha havido uma missão, denominada Nossa Senhora da Misericórdia. Nesse tempo, o terreno da antiga missão, no perímetro mesmo do povoado, era um terreno coberto por alta capoeira, no meio da qual encontrei uma alta cruz de madeira. Era o que sobrava do estabelecimento da missão dos Guaná. 

Albuquerque, o Forte Coimbra, Cuiabá e Vila Bela da Santíssima Trindade tinham sido criados, em meados do século XVIII, ao longo do rio Paraguai para drenar as riquezas do interior do país e defender a fronteira ocidental. O lugar ficou sem crescimento porque diversos habitantes deixaram a fundação, mudando-se para Corumbá, mais bem situada. Hoje Albuquerque é distrito de Corumbá e se constitui de um pequeno conjunto de residências, hotéis, pousadas e ranchos particulares, ligados ao turismo da pesca. Em 2010 somava 2.492 habitantes. A igreja, que era o centro do povoado, ainda estava lá. Na ocasião da pesquisa nós acampamos num Centro Comunitário em construção, próximo da igreja.

A missão tinha sido formada com índios Guaná, do tronco linguístico aruaque, os quais vinham do Chaco paraguaio e, atravessando o rio Paraguai, se iam reunindo junto ao Forte Coimbra. Eles foram levados para formar uma aldeia junto a Albuquerque. A aldeia de índios, em 1818, foi transformada na missão Nossa Senhora da Misericórdia, a cargo de Frei José Maria de Macerata, capuchinho trazido da Itália. A missão fez rápido progresso e a população chegou a cerca de 1.300 pessoas. Os índios criavam galinhas, alguns porcos, faziam plantações de algodao, milho, feijão, mandioca, abóboras, carás, batatas, para seu gasto e para a troca com a guarnição do forte. Mas, quando, em 1823, Frei Macerata foi transferido, um grupo de índios deixou o aldeamento, que se desfez rapidamente. Não havia estruturas permanentes.

Nosso trabalho não foi a missão de índios Guaná, agricultores do tronco aruaque, mas a escavação de um sítio de índios ligados à caça, pesca e coleta nos terrenos alagadiços do Pantanal do Mato Grosso do Sul.

Há dois cenários inesquecíveis de nossa estada em Albuquerque, no mês de julho. O expectáculo mais fantástico, que se repetia todas as madrugadas, era a dança de uns três mil papagaios, que rodeavam e rodeavam no céu, antes de se dispersarem para seus lugares de abastecimento. Ao anoitecer, antes de se recolherem para dormir nas árvores do Mato Grande, se repetia o espectáculo dos papagaios.

Outro espectáculo era o dos ipê rosa, cobertos de flores até a última pontinha dos galhos, que faziam sombra a  terreno em que estávamos escavando. 

Quem escreveu a história dos índios e da missão Nossa Senhora da Misericórdia foi Maria Eunice Jardim Schuch em sua dissertação na Unisinos: Xaray e Chané: Indios frente à expansão Espanhola e Portuguesa no Alto Paraguai, 1995, disponível na página do Anchietano, em Dissertações. E também Missões Capuchinhas entre os Guaná sul-matogrossenses. Pesquisas, História 30, 1998.

 

Quarto

Em nosso trabalho no Pantanal do Mato Grosso do Sul encontramos os restos de outra missão, Nossa Senhora do Bom Conselho, que reunia índios Quiniquinao, do mesmo grupo Guaná. Ela foi criada em 1851, a três léguas de Albuquerque, em uma região conhecida como Mato Grande e ficou aos cuidados de Frei Mariano de Bagnaia, capuchinho também trazido da Itália. 

Considerada modelar em termos de organização, logo alcançou grande desenvolvimento. Os índios, além de seus próprios cultivos, se empregavam como remadores de canoas e alguns em lavouras de povoadores lusos.

Em 1859 Frei Mariano se afastou e foi substituído por outro frei capuchinho, até 1863. A missão se desfez poucos anos depois em consequência da guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (1864-1870). Ela se encontrava no terreno de movimentação das tropas e muitos índios foram engajados como soldados. 

Quando visitamos o lugar ele tinha sido transformado em assentamento de colonos, que se consideravam bem-sucedidos porque tinham suas máquinas agrícolas e, nos fins de semana, conseguiam vender seus produtos, indo de casa em casa, na cidade de Corumbá.

 Havia cerâmica espalhada pelas plantações, mas ainda nenhuma estrutura permanente, com exceção de uma grande cruz de madeira num bosque. Também nos indicaram um pequeno ancoradouro na beira da lagoa, onde ancoravam suas canoas. 

Quem conta a história da A Missão Nossa Senhora do Bom Conselho, Pantanal, Mato Grosso do Sul é José Luiz Peixoto com Pedro Ignácio Schmitz em Pesquisas, História 30 (1998). Também Maria Eunice Jardim Schuch nos dois trabalhos anteriormente citados.

 

Comentário final

O encontro com missões indígenas foi importante em nosso estudo das populações indígenas do Pantanal do Mato Grosso do Sul, mas casual. 

O estudo do Pantanal estudou os seus índios. Não se restringiu aos indígenas do período pré-colonial, mas acompanhou as populações na Colônia e ainda no Império do Brasil. Os relatórios arqueológicos básicos foram publicados em Pesquisas, Antropologia 54 (1998) e 67 (2009).

Além desses e dos trabalhos anteriormente citados, temos ainda as seguintes dissertações (Ver página do Anchietano, dissertações e teses):

 

Lajedos com Gravuras na Região de Corumbá, MS. Maribel Girelli.

A ocupação Tupiguarani na Borda Oeste do Pantanal Sul-Matogrossense: Maciço do Urucum. José Luis dos Santos Peixoto.

Os Tobas do Chaco: Missão e Identidade. Séc. XVI-XVII-XVIII. Doris Cristina Castilhos de Araujo Cypriano.

PAYAGUÁ: Os Senhores do Rio Paraguai. Magna Lima Magalhães.

Os Mbayá-Guaicurú: área, assentamento, subsistência e cultura material. Ana Lucia Herberts.

Relações de Gênero Entre Populações Indígenas Nômades do Chaco. Elaine Smaniotto.

Os Argonautas Guató. Jorge Eremites de Oliveira.

San Ignácio de Los Zamucos: Índios e Jesuítas no coração do deserto Sul-americano, século XVIII. Fúlvio Vinícius Arnt.

 



Texto e Imagens: Prof. Dr. Pedro Ignácio Schmitz

sexta-feira, 21 de maio de 2021

PEDRO IGNÁCIO SCHMITZ, APRENDIZ DE ARQUEÓLOGO


8.1. O contato com missões religiosas espanholas

 

Em nossos projetos tivemos encontros diferenciados com missões religiosas, em que tanto conquistadores espanhóis e portugueses, como o Império Brasileiro, reuniram populações indígenas para civilização, catequese e organização do espaço. Essas missões diferem em razão da legislação correspondente e do período em que foram instaladas.

De acordo com a legislação colonial espanhola, as missões reuniam os índios em comunidades autossustentadas, semelhantes a municípios, onde os índios eram autônomos e era proibido o serviço aos colonos, excluídos praticamente do território missionário. Todas as missões estudadas são do período colonial.

De acordo com a legislação colonial portuguesa, os índios eram reunidos em aldeias para serem civilizados e catequisados, mas ficavam à disposição dos colonos durante um período do ano, mediante pagamento de jornal. As aldeias missionárias dependiam de um colégio da cidade. 

No período do Império Brasileiro, os índios eram reunidos em aldeamentos para liberar os caminhos da mineração, civiliza-los e torná-los úteis como trabalhadores rurais.

Em nossas pesquisas encontramos vestígios de aldeias indígenas dos três tipos mencionados. Na primeira postagem falo das missões (reduções) feitas por jesuítas durante o período colonial espanhol. Na segunda falo de aldeamentos do período colonial português e do período imperial do Brasil.

 

Reduções espanholas

Primeiro

Fizemos um contato efêmero com a missão guarani de jesuítas espanhóis no município de São Pedro do Sul, no centro do Estado do RS. 

No lugar denominado Pedra Grande existe um lajedo vertical, de 80 m de comprimento, cuja face abrigada é coberta por 40 m de gravuras da tradição Pisadas. Em 1972, junto com José Proenza Brochado, copiamos as gravuras, fizemos escavações na frente do paredão e cortes estratigráficos atrás do mesmo. Nas escavações predominaram elementos materiais da tradição Umbu, datados de mil antes de Cristo a mil depois de Cristo. 

Num corte atrás do paredão identificamos fragmentos de cerâmica vermelha colonial espanhola, que também serve para caracterizar o primeiro período reducional, os quais serviram de alerta para a existência de uma missão. 

De fato, os documentos atestam que os jesuítas criaram na região, em 1633, uma missão, que pode ser São José do Itaquatiá, ou São Miguel do Ituzaingó; ambos nomes fazem referência a um bloco gravado. A redução, de vida efêmera, desapareceu em 1637, no roldão das bandeiras paulistas.

A partir da pista levantada, a equipe de arqueologia da PUCRS escavou a superfície da antiga missão atrás do bloco e fez novos cortes entre os blocos, de que resultaram duas dissertações de metrado. 

Nosso trabalho ficou reduzido ao estudo das primeiras escavações e das gravuras.  Petroglifos do estilo pisadas no centro do Rio Grande do Sul em Pesquisas, Antropologia 34, 1982. 

 

Vista parcial do bloco ao qual se refere a notícia.

 

Segundo

Outro contato rápido foi com a redução Nossa Senhora da Candelária de Caaçapamini. Ele se originou do convite de um colega jesuíta para inspecionar um terreno coberto de cacos de telhas de mistura com cerâmica antiga, no Rincão dos Melo, do município de São Luiz Gonzaga, Noroeste do Rio Grande do Sul, microrregião de Santo Ângelo. 

Em 1970, quando visitamos o sítio, ele estava na proximidade de pequeno povoado que, em 1996, se tornou o município de Rolador, de uns 2.800 habitantes, pequenos agricultores. Os restos arqueológicos de antigo assentamento se espalhavam na superfície de uma colina aplanada, que se transformara em lavoura de soja. As telhas quebradas juncavam o solo e indicavam as quadras das antigas construções, inclusive a da igreja, na qual buscadores de tesouros tinham feito grandes estragos. 

Em outro momento, em pequena equipe, voltamos ao lugar em preparação de um trabalho maior.  Fizemos um croqui registrando o material visível, pequenas sondagens entre as plantas da soja e estudamos a implantação do sítio no antigo ambiente, como disponibilidade água e de madeira para construção e lenha. 

No perfil dos cortes percebia-se, claramente, a estratigrafia conservada das antigas construções: por cima, telhas; depois, o madeiramento carbonizado do telhado; por baixo, massas de barro com impressões de taquara das paredes, fragmentos de cerâmica e muito carvão. A redução tinha sido a primeira a ser coberta com telha-canoa depois de um incêndio provocado por intenso vento norte. As telhas serviram para identifica-la sem erro: era a redução de Nossa Senhora da Candelária de Caaçapamini. 

Na ocasião recolhemos telhas, 1.760 fragmentos cerâmicos e amostras de material de construção. O propósito de voltar após a colheita da soja para um trabalho mais completo nunca se realizou e, assim, perdeu-se uma oportunidade excepcional de desvelar a sede inteira de uma redução do primeiro período missioneiro. Na cerâmica, além das formas tipicamente indígenas, já tem boa representatividade a cerâmica vermelha colonial, com formas de prato, tigela e pequena panela de base plana ou em pedestal; na Pedra Grande este tipo de cerâmica tinha servido como indicador de uma missão. 

A redução, fundada por Roque Gonzáles e Pedro Romero, em 1627, tinha participado de eventos importantes da penetração missionária e conseguira bastante estabilidade. Fora abandonada pelos moradores, depois de incendiá-la, em 1637, para ela não servir de abrigo aos bandeirantes, que estavam devastando as reduções, carregando para suas fazendas de São Paulo os índios que conseguiam aprisionar. Os da redução de Caaçapamini se refugiaram, em tempo, na outra margem do rio Uruguai.

Os materiais recolhidos, a bibliografia e documentos disponíveis no Instituto Anchietano foram utilizados por Neli Terezinha Galarce Machado para sua dissertação de mestrado na UNISINOS, em 1999: A Redução de Nossa Senhora da Candelária do Caaçapamini (1627-1636). 

O trabalho foi publicado posteriormente pela Unijui. Também há uma postagem sobre a redução no blog do Instituto Anchietano de Pesquisas, em 05/07/2018.

 

Fragmentos de telhas na plantação de soja.

 

 Cerâmica da redução: à esquerda cerâmica vermelha colonial espanhola, à direita cerâmica Tupiguarani.

 

Croqui feito sobre a distribuição do material

 

 

As duas reduções mencionadas até aqui, mais a de Jesus e Maria, na bacia do rio Pardo, são as únicas do primeiro período seguramente identificadas no Estado.

 

Terceiro

A dissertação de mestrado intitulada A estância missioneira de Yapeyú, a Estância Santiago e o Passo do Aferidor, apresentada, em 2014, por José Afonso de Vargas na UNISINOS, conduziu-nos a uma experiência mais duradoura com estruturas do período missionário posterior às invasões bandeirantes. Dela resultou um projeto do Instituto Anchietano, cujo relatório, sob o título de A grande estância de Yapeyu, foi publicado em Pesquisas, Antropologia 75 (2020).

A grande estância de Yapeyu foi criada e administrada pela redução de Nuestra Señora de los Reyes Magos de Yapeyú, fundada pelo padre Roque Gonzáles em 1627, na margem direita do rio Uruguai. Era a mais meridional e também a mais populosa das reduções da Província jesuítica do Paraguay. 

Sua estância de gado também era a mais extensa, desdobrando-se por ambas margens do rio Uruguai, desde o rio Ibicuí até o rio Negro, na R.O. do Uruguay. Ela abastecia de carne bovina a própria redução (umas 10.000 vacas por ano) e vendia gado para outras reduções, quando necessitadas. 

A estância começou, em 1657, a reunir gado solto de vacarias da margem direita e da margem esquerda do Uruguai e permaneceu ativa no fornecimento de carne às reduções até a expulsão dos jesuítas, em 1769. Durante o período jesuítico ela era administrada por famílias indígenas, sob a coordenação de um ou dois religiosos da redução. Depois, foi do domínio da Província de Buenos Aires e, em 1802, foi incorporada ao Estado Brasileiro. 

Da antiga estância encontramos, mais ou menos preservadas, estruturas de manejo (currais, potreiros e residências dos índios estancieiros), residências dos coordenadores religiosos e de seus auxiliares imediatos e, também, capelas utilizadas para o serviço religioso. A razão da conservação das estruturas é que, após a incorporação ao Império do Brasil, em 1802, elas continuaram a ser utilizadas pelos novos proprietários lusos, para a mesma criação de gado. Alguns prédios, com as devidas adaptações, serviram de residência para os novos proprietários e assim continuam. De todas as estâncias missioneiras, a de Yapeyú é a que mais concretamente representa o manejo de gado das reduções. 

Até agora, o projeto se ocupou com as estruturas existentes no município de Uruguaiana, no Sudoeste do Rio Grande do Sul. Ali estudamos as estruturas superficiais e a história das seguintes sedes ou cascos: o da chamada Estância Santiago, a partir de 1657; o da Estância São José, a partir de 1694 (ou 1701); o da Estância São Sebastião e o da Estância Libertadora, posteriores a 1730. Cada sede mantinha postos de manejo e controle nas passagens (vaus) dos rios e em lugares por onde o gado poderia fugir ou ser desviado. 

Uma sede, com seus postos, podia contar até 170 pessoas, entre homens, mulheres, jovens e crianças, que continuavam ligados à vida da sede missional. 

As construções da fazenda acompanhavam o estilo construtivo da sede, incluindo as novas técnicas construtiva trazidas pelos irmãos arquitetos vindos da Itália.

Ainda não tivemos acesso às estruturas existentes na R.O. do Uruguay e na Argentina.

O projeto foi divulgado na publicação em Pesquisas, Antropologia 75, em congressos e reuniões científicas e em postagens no blog. Ele vem tendo boa repercussão na população local e entre historiadores missioneiros.


A casa do Aferidor do Caminho Real das Missões, na beira do rio Uruguai, onde a primeira capela tinha sido levantada ao redor de 1656.


O setor habitacional da estância São José, começada em 1701.


O grande curral (60 m de diâmetro) da estância São José.


A residência dos coordenadores jesuítas da estância São Sebastião, começada ao redor de 1730.


A antiga grande capela da estância São Sebastião.


Texto e Imagens: Prof. Dr. Pedro Ignácio Schmitz

sexta-feira, 7 de maio de 2021

PEDRO IGNÁCIO SCHMITZ, APRENDIZ DE ARQUEÓLOGO

 7.2 Experiências com arte rupestre, pinturas continuação

 

O estilo Serranópolis

 

Em Serranópolis, sobre o rio Verde, afluente do Paranaíba, em área de cerrado, onde a ocupação indígena começa ao redor de 12.500 antes do Presente (10.500 antes de Cristo), as pinturas cobrem as paredes de quarenta abrigos abertos e pouco profundos existentes em paredões e em torres residuais de arenito silicificado. Os sítios abrigaram populações caçadoras e coletoras durante milênios e deixaram espessas camadas com instrumentos característicos das tradições Itaparica e Serranópolis, junto com abundantes restos alimentares bem conservados. O conjunto permite reconstituir boa parte da vida dos antigos habitantes. 

As pinturas, feitas com pigmentos minerais, eram realizadas em superfícies mais fortemente silicificadas das paredes rochosas. Onde as paredes apresentam espaços de arenito pouco silicificado se produziam gravuras do estilo Pisadas, aparentemente pelas mesmas populações que faziam as pinturas. A faixa das representações não costuma ultrapassar a altura que o executor podia alcançar com o braço, quando pisado no chão ou sobre uma saliência maior de rocha. Elas eram mais bem-acabadas quando o pintor se encontrava em posição confortável e são mais estilizadas quando em posição forçada.

As pinturas, em tonalidades de vermelho e preto, compõem-se, predominantemente, de composições geométricas que lembram escudos e objetos de uso (cestos), e representação de animais, com predomínio de aves semelhantes à arara e à ema, mas também répteis, tatus e pisadas humanas. Alguns animais estão representados com todos os detalhes, mas rígidos, como numa coleção. Os humanos são menos presentes que os animais. As pinturas estão agrupadas e sobrepostas, mas raramente compõem cenas explícitas como em Caiapônia. 

No conjunto há elementos que lembram a tradição Geométrica de que falei acima, e raros elementos que lembram o estilo Caiapônia, de que falarei a seguir. Mas as pinturas de Serranópolis são uma composição própria, que denominamos estilo Serranópolis

O estudo da arte rupestre de Serranópolis está publicado em Publicações Avulsas do IAP 11. Arqueologia nos Cerrados do Brasil Central. Serranópolis II: Pinturas e Gravuras dos Abrigos Pedro Ignácio Schmitz. Colaboração de Fabiola Andréa Silva e Marcus Vinicius Beber, 1997.

Painel de pinturas do GO-JA-03. Serranópolis, GO.


O mesmo painel



Um recorte do painel acima



Painel de Serranópolis, GO-JA-03



Painel de Serranópolis, GO-JA-03




Painel de Serranópolis, GO-JA-15, em teto raso, onde a execução foi mais difícil. As cruzes lembram Caiapônia.

 

O estilo Caiapônia

 

A pequena distância de Serranópolis, também em área de cerrado, encontra-se Caiapônia, na bacia do rio Caiapó, afluente do Araguaia. Na extensa rampa arenítica de uma chapada, na localidade de Palestina, foram estudadas várias dezenas de abrigos e nichos com pinturas; também um paredão com gravuras do estilo Pisadas. Em razão da reduzida consistência das paredes de arenito as pinturas têm os contornos menos definidos e estão mais ameaçadas de desaparecimento, mas as gravuras estão bem.

Ao contrário de Serranópolis, onde os abrigos apresentam espessas camadas de ocupação milenar, em Palestina foram encontradas poucas camadas ocupacionais de alguma representatividade, mas são representativos alguns campos de seixos contendo artefatos indígenas antigos. Esta constatação deixa como elemento predominante do lugar a arte rupestre, mas sem conexão garantida com alguma cultura datada. A pintura está claramente no âmbito da tradição Nordeste, as gravuras, da tradição Pisadas.

As pinturas compõem-se de pequenas figuras, executadas com poucos traços, de humanos e animais em movimento, que produzem cenários e conjuntos significativos. Características são composições de homens com porretes caminhando um atrás do outro, ou se enfrentando em dupla; cenas de casal com criança, ou de homens carregando criança às costas; cenas de caça e de ritual; cenas de abastecimento juntando em pequeno espaço uma rede, um peixe, uma planta com tubérculos, um homem colhendo mel num tronco de árvore um grupo de homens caçando um veado com crias; típicas são ainda representações de peixes isolados, em fila, ou formando cardumes; cirandas de macacos, de emas, de emas e macacos; carimbos e cruzes. Os homens são representados com o pênis destacado; mulheres aparecem menos. As cores predominantes são tonalidades de vermelho de pigmentos minerais.

As pinturas cobrem todas as paredes e nichos que a mão humana podia alcançar, do chão, ou de uma protuberância rochosa (mesmo com perigo de despencar no vazio); tetos inalcançáveis com a mão eram salpicados jogando pigmentos contra eles. A qualidade da execução dependia da posição em que o pintor as realizava, em pé, agachado, com os braços esticados para a frente, para cima, para baixo ou para os lados. O conjunto de pequenos abrigos, nichos, tocas e passagens, com suas pinturas, até parece o resultado de uma gincana milenar, onde o desafio era pintar tudo, mesmo os lugares mais difíceis. 



Painel de Caiapônia, GO-CP-16

Painel de Caiapônia, GO-CP-29


 

Painel de Caiapônia, GO-CP-16


Painel de Caiapônia, GO-CP-33


Painel de Caiapônia, GO-CP-o



 


Caiapônia, representações humanas em diversos abrigos.

 

Considerações

As pinturas cobrem espaços de cerrado e de caatinga do Centro e Nordeste do Brasil, em variados estilos e tradições; são menos frequentes e representativas em outras regiões do país. 

Olhando, agora, o conjunto de pinturas e gravuras comentadas nestas postagens observamos que elas não usavam grandes acabamentos formais para transmitir suas mensagens, entretanto elas as transmitiam e eram diversificadas. Elas tornavam doméstico e seguro o lugar escolhido para acampar ou morar e o identificavam como de seu grupo e de seu território, no qual se podiam movimentar sem temor. Por outro lado, qualquer grupo estranho se daria conta, imediatamente, de que não estava em espaço de sua pertença. 

Os ícones eram instrumentos de memória entre gerações, lembravam eventos ocorridos, mostravam cenas do cotidiano como família, abastecimento, festa e ritual, exemplificavam o ethos do grupo, que podia ser mais sistemático, prescritivo e combativo, ou mais liberal, proativo, alegre, explorador. Eles formavam o bastidor da vida familiar e cotidiana, e o cenário adequado para a prática ritual, como mostram as camadas espessas de resíduos ocupacionais, que constituem a parte material desses sítios. 

As representações gravadas e pintadas que estudamos eram de acesso público. Qualquer indivíduo do grupo (homem, mulher e criança) tinha acesso a elas para as conhecer, modificar e complementar. Nelas estava registrada a vivência das gerações passadas e nelas qualquer um da geração presente podia deixar suas marcas para as gerações futuras; muitas eram simples e de fácil execução. Neste sentido, pouco se conhece em nosso estudo, de nichos de arte rupestre reservados a um usuário e vedados ao público, considerados espaços privativos de curandeiros e outras lideranças religiosas. Mesmo assim, toda arte rupestre parece carregar em si algo que a separa da simples materialidade; sua apropriação reúne conhecimento, sensibilidade, adesão ou rejeição.

 

Texto e Imagens: Prof. Dr. Pedro Ignácio Schmitz