segunda-feira, 24 de julho de 2017

Espinheira-santa Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek



A espinheira-santa, planta muito difundida e amplamente utilizada na medicina tradicional é, muitas vezes, confundida com outras, entre elas, a cancorosa. Nesta postagem traremos algumas características que as diferenciam e a utilização das mesmas.

 
Planta jovem, cultivada no Campus Unisinos São Leopoldo.

 
Detalhe dos ramos em frutificação.



Pertence à família Celastraceae. Árvore de pequeno porte ou arbusto, cresce até 5 m de altura. Folhas coriáceas, com margens apresentando espinhos, um na extremidade e, lateralmente, aos pares. Flores pequenas, amareladas. Frutos de cor vermelha.
Nativa do sul do Brasil. Ocorre também no Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile e Bolívia.
Na medicina tradicional é empregada no tratamento de problemas estomacais tais como gastrite crônica, úlceras e dificuldade de digestão. O seu chá é preparado adicionando-se água fervente em uma xícara (chá) contendo uma colher (sobremesa) de folhas picadas, na dose de uma xícara (chá) antes das principais refeições.


Cancorosa Jodina rhombifolia (Hook. & Arn.) Reissek



Planta cultivada, com cerca de 25 anos, no Campus da Unisinos São Leopoldo.

Detalhe dos ramos.

Pertence à família Santalaceae. Arvoreta espinhenta de 2 a 4 m de altura. Folhas grossas e espinhentas com um espinho em cada um dos três ângulos. Flores pequenas de cor rósea. Frutos avermelhados.
Nativa do sul do Brasil. Ocorre no Paraguai, Argentina e Uruguai.
Na medicina tradicional é utilizada para combater resfriados, disenterias, problemas estomacais e na cicatrização de ferimentos infectados. O chá das folhas é indicado para o tratamento de resfriados e problemas estomacais; do cozimento da casca, chá para disenteria e o pó torrado das folhas é aplicado sobre úlceras crônicas e ferimentos infectados.

Para ler mais sobre a espinheira-santa acesse o artigo do Pe. Clemente José Steffen publicado pelo Instituto Anchietano de Pesquisas em:

Texto e fotos: Denise Schnorr
 




segunda-feira, 17 de julho de 2017

GRAVURAS RUPESTRES NO OESTE E NO SUL DO BRASIL (Segunda parte)


Os povoadores indígenas do Pantanal deixaram grandes gravuras em extensos lajedos horizontais no sopé da morrari Tromba dos Macacos e Urucu/Santa Cruz. Os lajedos são formados por óxidos de ferro, que se desprendem dos morros, onde há riquíssimas minas de ferro e manganês.
No croqui estão registradas as grandes lagoas: Jacadigo, do Mato Grande e Negra, que cercam o maciço montanhoso. Neste se encontram 5 conjuntos de gravuras. As gravuras dos grupos CP 01, 02, 03 e 04 foram estudadas na dissertação de mestrado de Maribel Girelli ‘Lajedos com Gravuras na Região de Corumbá’, defendida na Unisinos em, 1994. As gravuras do grupo CP 41 formaram o trabalho de conclusão do curso de História de Patrícia Hackbarth, na Unisinos, em 1997.
As gravuras são atribuídas às populações canoeiras que, nos dois últimos milênios, tiveram suas aldeias na beira das lagoas e, no tempo da enchente, acampavam nas ilhas formadas nos campos alagados.
As figuras 9 a 12 são da Fazenda Figueirinhas, CP 2, tendo ao fundo a Morraria do Urucum. Elas mostram a sequência do trabalho: antes, durante e depois da limpeza em dois dos vários lugares em que as gravuras afloram no meio da vegetação.




segunda-feira, 10 de julho de 2017

GRAVURAS RUPESTRES NO OESTE E NO SUL DO BRASIL

Numa sequência de postagens nos propomos mostrar gravuras rupestres estudadas pela equipe de arqueologia do Instituto Anchietano de Pesquisas, no Oeste e no Sul do Brasil.
Na figura 1 estão indicados os dois estilos de gravuras que mostraremos: O asterisco vermelho indica regiões de grandes gravuras sobre extensos lajedos horizontais na beira de lagoas, no Oeste de Goiás e no Pantanal do Mato Grosso do Sul; é o estilo Pantanal. O ponto vermelho indica regiões de gravuras pequenas em abrigos rochosos no Sudoeste de Goiás e no centro do Rio Grande do Sul; é o estilo Pisadas.
Os nove anos de pesquisa arqueológica da equipe no Pantanal foram publicados em Schmitz, P.I. e equipe em ‘Aterros Indígenas no Pantanal do Mato Grosso do Sul’. Pesquisas, Antropologia 54, 1998, 271 páginas.
Figura 2: O rio Paraguai é acompanhado por grandes lagoas permanentes de água doce, como a de Jacadigo, a maior delas na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Ao redor delas se dão as ocupações indígenas, que começam aproximadamente 6.500 anos a.C. Ao fundo o maciço rochoso da Tromba dos Macacos, que alcança mil metros de altura. O barquinho era nosso meio de locomoção.
Figura 3: O Pantanal enche todos os anos pelo represamento das águas do rio Paraguai, no tempo das chuvas, aproximadamente de novembro a maio, invadindo os campos vizinhos, onde se formam centenas de pequenas ilhas cobertas de árvores. Nessa estação ali se refugiavam os índios que normalmente moravam na beira das lagoas ou do rio. No período colonial se encontram ali vários grupos do tronco linguístico chaquenho, como os Paiaguá.
 Figura 4. Arqueólogos da equipe escavando numa dessas ilhas.
Figura 5. O rio Verde, um pequeno afluente do Paraguai, em cuja alta barranca se fizeram escavações maiores.
Figura 6. Os arqueólogos da equipe procuram entender como eram os acampamentos dos índios. Recuperaram muitos restos de panelas de barro da tradição Pantanal, alguns instrumentos em pedra e numerosos sepultamentos.
Figura 7. Os mortos eram enterrados em assentamentos à beira das lagoas e dos rios, em lugares que não alagavam durante a enchente anual. Para ali também eram trazidos os que morriam nos acampamentos dos campos.

Texto e imagens de Dr. Pedro Ignácio Schmitz.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Plantas Medicinais no Instituto Anchietano de Pesquisas/Unisinos: Mil-folhas

O trabalho com as plantas medicinais na Unisinos iniciou na década de 1990 por iniciativa do Pe. Clemente José Steffen SJ. Naturalista, especialista em ecologia humana, foi professor das disciplinas de fisiologia vegetal e ecologia, entre outras, no curso de Ciências Biológicas por várias décadas. Ele resgatou e fez chegar, usando de diferentes meios, informações sobre os usos das plantas medicinais na medicina tradicional. Seu trabalho foi o precursor e base para muitos outros em nossa região.
Após o seu falecimento, a Unisinos, através do Instituto Anchietano de Pesquisas, dá continuidade ao seu trabalho mantendo atividades contínuas junto ao Centro de Cidadania e Ação Social - Programa Pró-maior, Instituto Humanitas, com oficinas de plantas medicinais, oficinas para cursos de graduação e atendendo as demandas da comunidade externa.

Nosso objetivo no blog é levar informações que auxiliem na correta identificação botânica, base para a utilização segura de plantas medicinais, aromáticas e condimentares. Assim, iniciamos uma série de postagens sobre plantas medicinais, enfatizando as 71 espécies de interesse do SUS, lista divulgada pelo Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do Ministério da Saúde.
Mil-folhas, mil-em-rama, pronto-alívio (Achillea millefolium L.)
Pertence à família ASTERACEAE. Planta herbácea perene, rizomatosa, entouceirada, com caule ereto e ramificado, folhas verdes alternas e finamente pinadas. Monoica, com flores brancas em capítulos reunidos em uma panícula terminal. Nativa da Europa e cultivada no Brasil, pode atingir cerca de 70 cm de altura. Multiplica-se por divisão de touceiras ou por estacas. Há variações cultivadas para fins ornamentais que exibem diferentes colorações.

Para ler mais sobre a mil-folhas acesse o artigo do Pe. Clemente José Steffen publicado pelo Instituto Anchietano de Pesquisas em:
Texto e fotos: Denise Schnorr