segunda-feira, 24 de julho de 2017

Espinheira-santa Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek



A espinheira-santa, planta muito difundida e amplamente utilizada na medicina tradicional é, muitas vezes, confundida com outras, entre elas, a cancorosa. Nesta postagem traremos algumas características que as diferenciam e a utilização das mesmas.

 
Planta jovem, cultivada no Campus Unisinos São Leopoldo.

 
Detalhe dos ramos em frutificação.



Pertence à família Celastraceae. Árvore de pequeno porte ou arbusto, cresce até 5 m de altura. Folhas coriáceas, com margens apresentando espinhos, um na extremidade e, lateralmente, aos pares. Flores pequenas, amareladas. Frutos de cor vermelha.
Nativa do sul do Brasil. Ocorre também no Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile e Bolívia.
Na medicina tradicional é empregada no tratamento de problemas estomacais tais como gastrite crônica, úlceras e dificuldade de digestão. O seu chá é preparado adicionando-se água fervente em uma xícara (chá) contendo uma colher (sobremesa) de folhas picadas, na dose de uma xícara (chá) antes das principais refeições.


Cancorosa Jodina rhombifolia (Hook. & Arn.) Reissek



Planta cultivada, com cerca de 25 anos, no Campus da Unisinos São Leopoldo.

Detalhe dos ramos.

Pertence à família Santalaceae. Arvoreta espinhenta de 2 a 4 m de altura. Folhas grossas e espinhentas com um espinho em cada um dos três ângulos. Flores pequenas de cor rósea. Frutos avermelhados.
Nativa do sul do Brasil. Ocorre no Paraguai, Argentina e Uruguai.
Na medicina tradicional é utilizada para combater resfriados, disenterias, problemas estomacais e na cicatrização de ferimentos infectados. O chá das folhas é indicado para o tratamento de resfriados e problemas estomacais; do cozimento da casca, chá para disenteria e o pó torrado das folhas é aplicado sobre úlceras crônicas e ferimentos infectados.

Para ler mais sobre a espinheira-santa acesse o artigo do Pe. Clemente José Steffen publicado pelo Instituto Anchietano de Pesquisas em:

Texto e fotos: Denise Schnorr
 




segunda-feira, 17 de julho de 2017

GRAVURAS RUPESTRES NO OESTE E NO SUL DO BRASIL (Segunda parte)


Os povoadores indígenas do Pantanal deixaram grandes gravuras em extensos lajedos horizontais no sopé da morrari Tromba dos Macacos e Urucu/Santa Cruz. Os lajedos são formados por óxidos de ferro, que se desprendem dos morros, onde há riquíssimas minas de ferro e manganês.
No croqui estão registradas as grandes lagoas: Jacadigo, do Mato Grande e Negra, que cercam o maciço montanhoso. Neste se encontram 5 conjuntos de gravuras. As gravuras dos grupos CP 01, 02, 03 e 04 foram estudadas na dissertação de mestrado de Maribel Girelli ‘Lajedos com Gravuras na Região de Corumbá’, defendida na Unisinos em, 1994. As gravuras do grupo CP 41 formaram o trabalho de conclusão do curso de História de Patrícia Hackbarth, na Unisinos, em 1997.
As gravuras são atribuídas às populações canoeiras que, nos dois últimos milênios, tiveram suas aldeias na beira das lagoas e, no tempo da enchente, acampavam nas ilhas formadas nos campos alagados.
As figuras 9 a 12 são da Fazenda Figueirinhas, CP 2, tendo ao fundo a Morraria do Urucum. Elas mostram a sequência do trabalho: antes, durante e depois da limpeza em dois dos vários lugares em que as gravuras afloram no meio da vegetação.




segunda-feira, 10 de julho de 2017

GRAVURAS RUPESTRES NO OESTE E NO SUL DO BRASIL

Numa sequência de postagens nos propomos mostrar gravuras rupestres estudadas pela equipe de arqueologia do Instituto Anchietano de Pesquisas, no Oeste e no Sul do Brasil.
Na figura 1 estão indicados os dois estilos de gravuras que mostraremos: O asterisco vermelho indica regiões de grandes gravuras sobre extensos lajedos horizontais na beira de lagoas, no Oeste de Goiás e no Pantanal do Mato Grosso do Sul; é o estilo Pantanal. O ponto vermelho indica regiões de gravuras pequenas em abrigos rochosos no Sudoeste de Goiás e no centro do Rio Grande do Sul; é o estilo Pisadas.
Os nove anos de pesquisa arqueológica da equipe no Pantanal foram publicados em Schmitz, P.I. e equipe em ‘Aterros Indígenas no Pantanal do Mato Grosso do Sul’. Pesquisas, Antropologia 54, 1998, 271 páginas.
Figura 2: O rio Paraguai é acompanhado por grandes lagoas permanentes de água doce, como a de Jacadigo, a maior delas na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Ao redor delas se dão as ocupações indígenas, que começam aproximadamente 6.500 anos a.C. Ao fundo o maciço rochoso da Tromba dos Macacos, que alcança mil metros de altura. O barquinho era nosso meio de locomoção.
Figura 3: O Pantanal enche todos os anos pelo represamento das águas do rio Paraguai, no tempo das chuvas, aproximadamente de novembro a maio, invadindo os campos vizinhos, onde se formam centenas de pequenas ilhas cobertas de árvores. Nessa estação ali se refugiavam os índios que normalmente moravam na beira das lagoas ou do rio. No período colonial se encontram ali vários grupos do tronco linguístico chaquenho, como os Paiaguá.
 Figura 4. Arqueólogos da equipe escavando numa dessas ilhas.
Figura 5. O rio Verde, um pequeno afluente do Paraguai, em cuja alta barranca se fizeram escavações maiores.
Figura 6. Os arqueólogos da equipe procuram entender como eram os acampamentos dos índios. Recuperaram muitos restos de panelas de barro da tradição Pantanal, alguns instrumentos em pedra e numerosos sepultamentos.
Figura 7. Os mortos eram enterrados em assentamentos à beira das lagoas e dos rios, em lugares que não alagavam durante a enchente anual. Para ali também eram trazidos os que morriam nos acampamentos dos campos.

Texto e imagens de Dr. Pedro Ignácio Schmitz.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Plantas Medicinais no Instituto Anchietano de Pesquisas/Unisinos: Mil-folhas

O trabalho com as plantas medicinais na Unisinos iniciou na década de 1990 por iniciativa do Pe. Clemente José Steffen SJ. Naturalista, especialista em ecologia humana, foi professor das disciplinas de fisiologia vegetal e ecologia, entre outras, no curso de Ciências Biológicas por várias décadas. Ele resgatou e fez chegar, usando de diferentes meios, informações sobre os usos das plantas medicinais na medicina tradicional. Seu trabalho foi o precursor e base para muitos outros em nossa região.
Após o seu falecimento, a Unisinos, através do Instituto Anchietano de Pesquisas, dá continuidade ao seu trabalho mantendo atividades contínuas junto ao Centro de Cidadania e Ação Social - Programa Pró-maior, Instituto Humanitas, com oficinas de plantas medicinais, oficinas para cursos de graduação e atendendo as demandas da comunidade externa.

Nosso objetivo no blog é levar informações que auxiliem na correta identificação botânica, base para a utilização segura de plantas medicinais, aromáticas e condimentares. Assim, iniciamos uma série de postagens sobre plantas medicinais, enfatizando as 71 espécies de interesse do SUS, lista divulgada pelo Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do Ministério da Saúde.
Mil-folhas, mil-em-rama, pronto-alívio (Achillea millefolium L.)
Pertence à família ASTERACEAE. Planta herbácea perene, rizomatosa, entouceirada, com caule ereto e ramificado, folhas verdes alternas e finamente pinadas. Monoica, com flores brancas em capítulos reunidos em uma panícula terminal. Nativa da Europa e cultivada no Brasil, pode atingir cerca de 70 cm de altura. Multiplica-se por divisão de touceiras ou por estacas. Há variações cultivadas para fins ornamentais que exibem diferentes colorações.

Para ler mais sobre a mil-folhas acesse o artigo do Pe. Clemente José Steffen publicado pelo Instituto Anchietano de Pesquisas em:
Texto e fotos: Denise Schnorr

terça-feira, 16 de maio de 2017

Minha vivência como estagiário de patrimônio na Memória Sacra do Instituto Anchietano de Pesquisas/Unisinos

No início do semestre, durante a primeira aula da disciplina de Patrimônio Cultural, ao receber as explicações sobre as horas de atividades práticas, decidi desenvolver um trabalho relacionado à fé. Após orientação da professora, fui até o Instituto Anchietano de Pesquisas, sendo apresentada ao professor doutor Pedro Ignácio Schmitz. Durante suas explicações, o professor me acompanhou até o Museu Capela do Instituto Anchietano de Pesquisas, onde estão expostas três imagens de São Miguel Arcanjo. As imagens chamaram minha atenção devido à minha devoção, à sua beleza, e aos caminhos que percorreram até virem a ser restauradas e terem seus valores históricos reconhecidos.
Expressei, então, o desejo que essas imagens viessem a se tornar meu objeto de pesquisa dentro do Instituto. A partir da segunda quinzena do mês de março, dei início às atividades práticas, tendo a oportunidade de conhecer a rica biblioteca do Instituto. O acervo da biblioteca conta com um vasto material com o qual efetuei minha pesquisa, tendo acesso às imagens e bibliografia.
O primeiro contato com as imagens trouxe-me imensa admiração pelo trabalho desenvolvido para recuperar tão exuberantes obras. Ressalto que tais peças do acervo percorreram, durante séculos, caminhos muitas vezes permeados de abandono, e sem o devido reconhecimento de sua importância histórica e religiosa.
A presença das imagens do Arcanjo nas reduções jesuíticas, teve, além do caráter doutrinador, o desejo de proteção contra a cobiça, a maldade humana e a soberba. O Arcanjo Miguel portando sua lança que fere o dragão que se encontra sob seus pés e sua balança, é símbolo de força do bem contra o mal, e representa a justiça divina. Nas imagens missioneiras, a representação do mal tem feições humanas, com traços portugueses, demonstrando o grande temor do povo Guarani pelos bandeirantes.
Impossível não se encantar com a beleza das imagens, dos traços delicados aos rústicos, da grandiosidade da imagem barroca, de todos os significados que as três imagens do poderoso arcanjo carregam. Tais peças têm em si a memória e a luta de um povo, de homens que tinham na fé a esperança de ter suas vidas a salvo da maldade e cobiça. Os movimentos dos traços das obras demonstram a força que o Arcanjo Miguel representa, e sua vitória contra aquele que tinha em si os piores pecados.
Posso dizer que, devido ao acúmulo de muitas tarefas, talvez não tenha desenvolvido a pesquisa como gostaria, mas a oportunidade que me foi oferecida na disciplina é única, uma vez que no currículo acadêmico de meu curso são poucas as oportunidades de trabalhar objetos ligados ao patrimônio. Quero agradecer a compreensão e auxílio de toda a equipe do Instituto, que, durante duas semanas, me concederam espaço e material para trabalhar, além de me possibilitarem pensar na importância dessas obras para a construção de nossa nação.


Texto: SUELEN FLORES
Fotos: acervo IAP

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Minha vivência como estagiário de patrimônio na Memória Sacra do Instituto Anchietano de Pesquisas/Unisinos

Em meu período de horas práticas no Instituto Anchietano de Pesquisas, estive na tutela do Dr. Pedro Ignácio Schmitz e a sua equipe, aos quais sou imensamente grato por me oportunizar o estudo de uma escultura de madeira e duas estátuas de gesso da Imaculada Conceição. Trabalhando com esses objetos procurei verificar a importância que possuem e representam para a comunidade e a instituição. Busquei a melhor compreensão do que é patrimônio cultural de uma forma prática, absorvendo o conceito como um bem material ou imaterial, advindo da cultura e a significância que tal objeto tem para uma população.

Imaculada Conceição é nome dado a Maria de Nazaré advindo de sua pureza. Segundo a crença, Maria teria sido escolhida por Deus desde sua concepção e, ao se tornar consciente dos planos do Senhor, aceitou inteiramente estar em união com ele, sendo assim “cheia de graça”. Imaculada remeteria à crença de que Maria nunca havia sido tocada pelo pecado original o qual, para o cristianismo, todos carregam até o momento do batismo. Conceição é o ato de ser criado no seio de uma mulher.




 Nas obras conservadas pelo Instituto Anchietano de Pesquisas a representação da Imaculada Conceição foi feita com as mãos unidas como em uma prece ou com os braços abertos. Sua túnica branca representa a pureza de sua pessoa. O manto azul simboliza o céu, também mostrando a distinção de Maria do resto da humanidade em razão de sua graça. Em sua cabeça há uma coroa de doze estrelas. Sobre seus pés um globo. Muitas vezes também é possível encontrar uma lua nova. É interessante observar a serpente que rodeia o globo, essa também pode ser substituída pelo dragão, representação cristã do mal que se encontra no mundo. O pé da Imaculada Conceição está sobre a cobra que carrega a maçã, o fruto proibido.
A obra feita em madeira é do estilo barroco, mais rebuscada, foi recolhida nos Sete Povos das Missões no começo do século passado. Das estátuas de gesso uma é de Porto Alegre e a outra da Europa.
            O estilo barroco foi consolidado como opositor do racionalismo do Renascimento, que primava por obras harmônicas e simplicidade. Foi o primeiro movimento artístico que chegou ao Brasil com alguma expressão. Na religião serviu como auxiliar dos propagadores da fé e muitas catedrais e igrejas que hoje são parte do patrimônio mundial foram criadas no estilo barroco. Em nosso país essa forma de arte teve grande desenvolvimento devido às minas de ouro e diamantes em nosso território. Ele causou rápido crescimento econômico de algumas camadas da população que viviam nesses locais, bem como chamou atenção de pessoas com maiores condições financeiras que poderiam vir a se interessar por essa forma de arte. Artistas poderiam ser tutorados por benfeitores, paróquias, confrarias, etc.
Essas situações, até então atípicas no Brasil, poderiam ser mais facilmente encontradas em Minas Gerais, por seu ouro e pedras preciosas e no Nordeste, que acumulava riqueza do período de exploração da cana-de-açúcar.
Portanto temos na Memória Sacra obras que são sem dúvida peças únicas e que remetem a períodos importantes da história de nosso país e estado. Elas solidificam a memória com o passado, trazem experiências interpretativas únicas àqueles que as contemplam, sendo patrimônios valiosos da sociedade.
Texto e fotos: NORTON  NEVES

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Estatuária na Memória Sacra do IAP/Unisinos

            Tendo suas atividades iniciadas em 1913, no complexo que outrora sustentara o Colégio Conceição, o Seminário Provincial de São Leopoldo fora criado para suprir a necessidade por um novo espaço de formação para o Clero no Rio Grande do Sul, visto que o Seminário presente em Porto Alegre não conseguia mais atender toda a demanda.

No Seminário havia diversas capelas cada uma com suas estátuas de gesso algumas das quais foram transferidas para a Memória Sacra e que analiso nesta apresentação. A de São João Nepomuceno é de madeira e veio do Seminário São José de Pareci Novo.


Maria Imaculada Conceição
            Representação da Virgem Maria segundo o dogma da Igreja Católica, estabelecido em 8 de dezembro de 1854 por Pio IX (Bula "Ineffabilis Deus"), através do qual é dito que a Virgem Maria seria pura desde o momento de sua conceição, completamente livre do pecado original.
            Este dogma é representado em sua imagem pela Virgem Maria pisando sobre a cabeça de uma cobra que segura uma maçã na boca. Seu manto, cor azul, simboliza o céu, ao passo que os bordados em dourado simbolizam sua realeza. Esta imagem difere das representações mais refinadas que a apresentam com uma coroa sobre a cabeça e com um conjunto de anjos sob seus pés, por vezes acompanhados por uma meia lua.
            Existem duas imagens semelhantes da Imaculada Conceição no acervo do museu, distinguindo-se pela pintura (uma delas possui traços mais refinados e detalhados) e pela origem, sendo uma produzida na cidade de Munique, Alemanha, e outra em Porto Alegre.


 Mayer & Co. Munich. Royal ecles. art Establishment

Atelier de Arte Christã. Roehe & Allgayer. Santo Antônio 716 - Porto Alegre

Sagrado Coração de Jesus
            A devoção ao Sagrado Coração de Jesus teve origem em 1673, quando a Santa Margarida Maria de Alacoque teria recebido revelações de Jesus incumbindo-a de propagar a devoção. Em um total de três momentos de revelação (em 1673, 1674 e 1675), Jesus teria deixado para a Santa doze promessas referentes ao seu Sagrado Coração.
A representação do Sagrado Coração de Jesus comumente apresenta o coração exposto, no cento do peito. O coração é representado como em chamas, circundado pela coroa de espinhos e com o ferimento produzido pela lança na derradeira hora de Jesus. Uma segunda imagem presente no acervo, também representando o Sagrado Coração de Jesus, apresenta os símbolos de sua paixão, depositados a seus pés: uma coroa de espinhos, três cravos, um açoite e uma tocha. A placa refere-se à primeira imagem a segunda não tem placa e provavelmente vem de Munique.



Fábrica de Imagens Röhe & Müller, Porto Alegre

São José
            Declarado Patrono Universal da Igreja em 1870 pelo papa Pio IX, São José foi o pai adotivo de Jesus. Inicialmente São José teve pretensão de abandonar Maria quando esta revelou estar grávida, mas foi advertido por um anjo de que a criança seria o Filho de Deus, fazendo com que José casasse com Maria e criasse o menino. José cuidou e sustentou sua família exercendo o ofício que ensinou também a Jesus, a carpintaria.
            As representações de São José comumente o representam com um manto marrom, simbolizando a humildade e a simplicidade, duas características que o Santo sempre levou consigo em vida; um lírio em uma das mãos, representando a pureza; um olhar voltado para baixo, simbolizando que ele foi o pai terreno de Jesus; o próprio menino Jesus em seu colo, segurando um globo nas mãos, este, por sua vez, representando o domínio de Jesus sobre toda as coisas.
A primeira imagem é de tamanho grande e a segunda pequena. A placa corresponde à primeira imagem, a segunda não tem placa.



Atelier de Artigos para o culto. Fábrica de altares e imagens Henrique Rüdiger. Rua Cristóvão Colombo, 1971, Porto Alegre


São Francisco Xavier no altar
            São Francisco Xavier nasceu na Espanha, no dia 7 de abril de 1506. Aos 18 anos foi para Paris estudar, tornando-se doutor e professor. Após conhecer Inácio de Loyola, tornou-se amigo deste, enfim se convertendo.  Francisco tornou-se padre, sendo co-fundador da Companhia de Jesus.
São Francisco viajou para o Oriente em trabalho missionário, andando pela Índia e pelo Japão, vindo a falecer pouco antes de chegar até a China. É dito que, traçando o caminho total percorrido por ele, em todas as suas viagens missionárias, seria possível percorrer o globo quase três vezes. Francisco foi beatificado pelo Papa Paulo V a 25 de outubro de 1619 e canonizado pelo Papa Gregório XV, a 12 de março de 1622, em simultâneo com Inácio de Loyola. É o santo patrono dos missionários.
Sua representação comumente mostra-o abrindo a batina na altura do peito, representando tanto o fervor de suas orações quanto o calor das regiões missionadas.

Santo Inácio no altar
            Nasceu em 31 de maio de 1491, na Espanha. Mais novo de 13 irmãos, perdeu seus pais ainda moço, vivendo uma vida leviana na casa de parentes. Na longa recuperação de um ferimento causado por um tiro de canhão na Batalha de Pamplona, dedicou-se à leitura de obras religiosas, que o inspiraram a levar uma vida a serviço de Deus. Abandonou a casa paterna e passou a viver uma vida de penitência e mendicância. Viajou para Jerusalém em 1523, onde tencionava viver e converter os infiéis. Tendo sua estadia negada, voltou a Barcelona e decidiu dedicar-se aos estudos. Estudou em três diferentes universidades, Alcalá, Salamanca e Paris, sendo perseguido e preso nas duas primeiras devido a suspeitas levantadas por suas pregações. Em 15 de Agosto de 1534 ele e seis companheiros fundaram a Companhia de Jesus na cripta da Igreja de Santa Maria, em Montmartre, Paris.
Inácio morreu em Roma em 31 de julho de 1556. Nesta data, os jesuítas eram aproximadamente 1000, espalhados em 110 casas e 13 províncias, possuindo 35 colégios em funcionamento. Santo Inácio de Loiola foi canonizado 12 de Março de 1622 pelo Papa Gregório XV.
A imagem do Santo Inácio presente no altar é sua representação oficial em vestes litúrgicas onde, ao invés da batina negra tradicional da Companhia de Jesus, Santo Inácio é representado com vestes brancas e douradas.

Santo Afonso Rodrigues no altar
            Nasceu em 25 de julho de 1532 em Segóvia, Espanha. De família cristã, teve de interromper seus estudos devido ao falecimento do pai, uma vez que assumiu os negócios da família. Sua esposa e dois de seus três filhos vieram a falecer não muito tempo depois, tornando-o viúvo aos 32 anos. Para complementar, foi a falência, perdendo os negócios que possuía. Abalado espiritualmente, após muito orar, encontrou sua vocação na chamada religiosa.
            Foi recebido pela Companhia de Jesus como irmão e, após seu noviciado, foi enviado ao Colégio de Formação, onde desempenhou a função de porteiro. Era conhecido por suas virtudes de obediência e humildade. Morreu em 31 de outubro de 1617, sendo canonizado pelo papa Leão XIII em 15 de Janeiro de 1888.
            Sua imagem é representada carregando um molho de chaves, símbolo de seus 40 anos como porteiro do Colégio de Formação.


São João Nepomuceno
            João Nepomuceno nasceu na cidade de Nepomuk, em um dos vales da Boêmia, por volta do ano de 1345. Em 1370 obteve o cargo de notário na Cúria Metropolitana. Nove anos depois, foi ordenado sacerdote e nomeado pároco de São Gall. Continuou seus estudos de direito eclesiástico na Universidade de Praga, obtendo o bacharelado. Em 1382, o arcebispo o enviou a Pádua, onde se doutorou em direito canônico, em 1387. Voltando em seguida para Praga, foi nomeado cônego da igreja de São Gall, permanecendo dois anos nesta função. Em agosto de 1390, tornou-se cônego honorário da Catedral de São Vito e vigário geral dessa arquidiocese.
            O desempenho excepcional de João Nepomuceno lhe rendeu um cargo na corte, como confessor da Rainha. Este novo cargo foi também o motivo de sua morte. O rei, desconfiado de que estava sendo traído pela rainha, convocou o confessor, exigindo saber tudo o que ela havia lhe confessado. João Nepomuceno não entregou a confissão, mantendo segredo. O rei mandou tortura-lo, o que não causou nenhum efeito, visto que João manteve o segredo da confissão. Sem sucesso, o rei mandou amarrar o sacerdote e jogá-lo de cima de uma ponte, levando a morte de João Nepomuceno em 20 de março de 1393.
            Mesmo com o rei tendo acobertado o ocorrido, inventando outra história, o povo da cidade sepultou Nepomuceno com as devidas honras a um mártir. Em 19 de março de 1729, na Basílica de São João de Latrão, pelas mãos do Papa Bento XIII, era solenemente elevado à honra dos altares São João Nepomuceno, mártir do segredo da Confissão.
A escultura o apresenta como sacerdote com os ombros cobertos por uma capa de arminho, um barrete na cabeça e uma palma nas mãos (desaparecida).
Escultura em madeira de origem europeia que veio do Seminário São José de Pareci Novo.

São Luiz Gonzaga
            Nasceu em 9 de março de 1568, na Itália. Filho de nobres italianos, desde cedo mostrou-se inclinado ao caminho religioso, ao adotar para si os votos de castidade. Seu pai, ao saber de suas inclinações para ser padre, tentou desencorajá-lo de todos os modos, levando-o a festas e banquetes, sem obter qualquer resultado. Aos quatorze anos entrou para a Companhia de Jesus, abandonando seu legado e sua nobreza.
            Indo completar seus estudos em Roma, compadeceu-se das pessoas que sofriam com a epidemia de tifo, ajudando quantas pessoas podia, até o ponto em que ele mesmo contraiu a doença, vindo a falecer em 21 de junho de 1591, aos 23 anos. São Luiz Gonzaga se tornou padroeiro da juventude e dos estudantes, sendo canonizado em 31 de dezembro de 1726 pelo Papa Bento XIII. Ele está representado como um noviço com um lírio simbolizando a pureza e um livro representando o estudo.


Fábrica de Imagens Röhe & Müller, Porto Alegre

São Bartolomeu
            São Bartolomeu foi um dos apóstolos de Jesus (Natanael), sendo um dos menos citados na bíblia. Segundo estudos históricos São Bartolomeu teria pregado a palavra de Jesus até na Índia. Teria morrido por esfolamento em Albanópolis, atual Derbent, na província russa de Daguestão junto ao Cáucaso. É o santo padroeiro dos padeiros, alfaiates, sapateiros e dos mercadores de Florença.
            A imagem apresenta-o segurando a própria pele e o objeto que teria sido usado para seu suplício, um alfanje (espécie de faca rudimentar). A pequena estátua não tem placa.

Para concluir
Na Memória Sacra as estátuas vindas dos seminários dos jesuítas são apenas pequena amostra da estatuária que havia em todas as igrejas, muitas delas produzidas em Porto Alegre, as primeiras ainda importadas da Europa.

Texto produzido por Igor Ferreira Komar