quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A IMACULADA NO MUSEU CAPELA

A denominação: O título de Imaculada Conceição para Maria corresponde à declaração da Igreja Católica de que ela, em previsão de se tornar a mãe de Jesus, Filho de Deus, desde a sua conceição esteve livre de pecado, inclusive do pecado original no qual nascem todos os humanos.
A veneração: Dia 8 de dezembro é a festa de Maria sob a denominação de Imaculada Conceição, de Imaculada, ou simplesmente de Conceição. Ela é titular de muitas igrejas e santuários, inclusive do Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Inúmeras mulheres levam o nome de Maria da Conceição ou simplesmente Conceição.
A forma de representação: Sob esta denominação Maria costuma ser apresentada vestida com uma túnica branca, um cinto e um manto azul, em atitude de oração com as mãos juntos ou os braços abertos. Ela está parada no globo sobre o qual está uma serpente, ou um dragão com uma maçã na boca, cuja cabeça ela esmaga; ela usa uma coroa de doze estrelas. Em algumas representações ela ainda tem uma grande lua (nova) sob os pés.
A simbologia: A serpente com a maçã lembra a transgressão de Eva no Paraíso, início de todo pecado. Maria esmaga a cabeça da serpente indicando que está livre do pecado original. O dragão, a lua e a coroa de doze estrelas são de João no Apocalipse (cap. 12) descrevendo o dragão vermelho (demônio) querendo devorar o menino Jesus que Maria estava para dar à luz. O Menino foi levado para junto de Deus e Maria encontrou um lugar seguro. O dragão vermelho, com seus anjos, foi expulso para a terra. ‘Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo de seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça...’




Estátuas do Museu Capela:
1. Escultura de madeira, em estilo barroco, recolhida nos Sete Povos das Missões por padres jesuítas historiadores no começo do século XX, guardada por décadas no Seminário de São Leopoldo.
2. Estátua de gesso de capela do Seminário de São Leopoldo trazida da Europa ou comprada em Porto Alegre, onde havia grande fábrica de objetos litúrgicos.
Casulas do Museu Capela:
1. Preciosa Casula do Seminário de São Leopoldo, com bordados a fio de ouro (use zoom para ver a perfeição nos detalhes), certamente trazida da Europa pelos padres jesuítas alemães e usada nas grandes festas religiosas. A Imaculada Conceição era a padroeira do Seminário.
2. Casula mais simples do Seminário de São Leopoldo, com a mesma invocação. As Irmãs Franciscanas do Colégio São José, em São Leopoldo, produziram vestes litúrgicas semelhantes a esta durante décadas.

Texto - Pedro Ignácio Schmitz
Fotografias Casulas - Juarez de Andrade/ Curso de Fotografia UNISINOS
Fotografias Maria Imaculada - Acervo IAP


terça-feira, 8 de novembro de 2016

O Missal Romano em nosso Museu Capela

O Instituto Anchietano de Pesquisas reuniu centenas de livros usados na liturgia católica, que está organizando e classificando para tornar o acervo disponível on-line. São principalmente guias para a administração dos Sacramentos (Rituais) e para a celebração da Eucaristia (Missais). Hoje mostramos um desses Missais guardados no Museu Capela do Instituto Anchietano de Pesquisas/UNISINOS.

 
Missal Romano, encadernação em couro, cantoneiras e imagem central em prata, usado em dias de festa.
Páginas internas mostrando um Prefácio, em Latim e com notação gregoriana. Tradução: Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Seu Filho, que com Ele vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amém. O Senhor esteja convosco. E com teu Espírito.

Abertura de um missal romano tradicional com as necessárias identificações, aqui traduzidas. Missal Romano, reproduzido de acordo com o Decreto do Sacrossanto Concílio Tridentino, editado por ordem do Sumo Pontífice S. Pio, reconhecido por outros Pontífices, reformado por Pio X e tornado público pela autoridade do Santíssimo S.N. Bento XV. Edição conforme a Edição Típica Vaticana.
Regensburg. Editora de Friedrich Pustet, tipógrafo da Santa Sé Apostólica e da Sagrada Congregação dos Ritos.

A história dessas obras

Nos primeiros séculos do cristianismo não havia regras e prescrições para a celebração eucarística e a administração dos sacramentos. As circunstâncias e a inspiração do momento predominavam.

Nos séculos IV e V foram introduzidos livretos como guias para os rituais e as celebrações.

Nos séculos V-VII se criaram os Sacramentários, com fórmulas fixas que ordenavam as celebrações em conventos e catedrais.

A partir do século X começaram os Missais, com a reunião de todos os textos e orações usados na celebração da Eucaristia por todos os sacerdotes que celebravam tanto nas pequenas paróquias rurais, como nos conventos e nas grandes catedrais urbanas.

Pio V (1570) publicou o primeiro missal para toda a Igreja Romana. Modificações pequenas foram feitas por Clemente VIII (1604), por Urbano VIII (1634), por Benedito XV (1920) e por Pio XI, mas a essência ficou sem modificação. As aprovações desses papas ainda se encontram na abertura dos missais, como se vê numa das imagens acima.

Até o Concílio Vaticano II (década de 1960) a língua do ritual da Igreja Católica era o Latim e o canto, o Gregoriano, com sua notação musical específica. Com o Concílio Vaticano II a língua do ritual e da celebração passou a ser o vernáculo e o canto gregoriano foi rapidamente desaparecendo.