sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Eu e a Arqueologia

 Sou Marcus Vinícius Beber, nascido em uma família de professores. Meu Pai, Alfredo, descendente de italianos do Vale do Itajaí, Santa Catarina, professor de História e Geografia na rede estadual do Rio Grande do Sul. Minha Mãe, Hildegarta, de ascendência germânica, nascida em Tapes, RS, professora de História tanto na rede estadual do RS como no Curso de História da Unisinos. 

Desde muito cedo eu falava em ser Historiador, fruto da vivência em casa, das conversas em volta da mesa, das pilhas de provas que meus pais tinham todo o fim de semana para corrigir, filhos de professores sabem bem do que estou falando. Ainda que muito bem avisado e alertado sobre as dificuldades da profissão, acabei teimando e, quando concluí o Ensino Médio, concorri a uma vaga ao curso de História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul realizado entre os anos de 1988 e 1992 quando Colei Grau de Licenciado em História. Continuei ainda naquela universidade até o ano de 1995 quando colei o Grau de Bacharel em História. 

Minha passagem pela UFRGS levou-me ao primeiro contato com a Arqueologia, já no primeiro semestre de curso, no ano de 1988, assisti as aulas de Pré-História Geral com a Professora Silvia Moehlecke Copé, onde aprendi os primeiros passos desta ciência. No segundo semestre, já influenciado pelo primeiro contato, cursei mais duas disciplinas relacionadas ao assunto, Pré-história Brasileira e Arqueologia, ambas com Prof. Arno Alvarez Kern, cursos bastante instigantes, visto que o professor recém havia chegado de seus estudos de doutoramento no exterior. Neste mesmo semestre tomamos contato ainda com Prof. José J. P. Brochado que ministrou disciplina introdutória de antropologia.

O ano de 1990 foi particularmente importante nesta trajetória pois em março, mais precisamente no dia 06, iniciei minhas atividades como bolsista de Iniciação Científica no Instituto Anchietano de Pesquisas - IAP - orientado pelo Prof. Dr. Pedro Ignácio Schmitz iniciando-se então uma longa relação profissional e de amizade.

A minha primeira atividade foi realizar a cópia dos painéis de arte rupestre do Projeto Alto Sucuriú, uma área que o IAP havia pesquisado entre 1985 e 1989. Daqueles tempos lembro de muitos colegas que circulavam pelos corredores, Maribel Girelli, Adriana Dias, Rodrigo Lavina, Marco de Masi, André Jacobus, André Osório, José Luís Peixoto, Fabíola Andréa Silva entre tantos outros alunos e pesquisadores que buscavam nas bibliotecas do “Pe. Ignácio” bibliografia atualizada para seus trabalhos. 




Bibliotecas do Instituto Anchietano no Antigo Prédio, no Centro de São Leopoldo, atual CCIAS, também conhecido como Antiga Sede da Unisinos. 



Em janeiro do ano seguinte (1991) participei de minha primeira pesquisa de campo, auxiliando a geóloga Ana Luisa Vietti nas escavações para coleta de dados para sua dissertação de mestrado sobre Reconstituição Paleoambiental na região do Banhado do Colégio, no município de Camaquã, RS. Neste mesmo ano, desenvolvo meu trabalho de Técnica de Pesquisa, disciplina obrigatória do curso de História da UFRGS que exigia a realização de um projeto de pesquisa. 

Minha escolha recaiu sobre o tema arqueologia, mais especificamente arte rupestre do Projeto Alto Sucuriú, tema que já vinha trabalhando desde meu ingresso no Instituto. A opção foi realizar a análise de um dos sítios da área, o mais significativo deles, MS-PA-04, conhecido como Casa de Pedra. A orientação do trabalho foi feita a quatro mãos: pela UFRGS, a responsável pela disciplina, a Profa. Celi Pinto, e pelo IAP, o nosso Orientador, Prof. Dr. Pedro Ignácio Schmitz.

As experiências no Instituto Anchietano foram somando-se. Participamos no ano de 91 do "VI Simpósio Sul-Rio-Grandense de Arqueologia - Novas Perspectivas", na PUCRS, meu primeiro contato com a comunidade gaúcha de arqueologia, e em setembro do mesmo ano foi a vez da estreia nacional na "VI Reunião Científica da Sociedade de Arqueologia Brasileira", na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Fora eventos, participamos de trabalhos de campo no Projeto Corumbá no Mato Grosso do Sul, do Projeto Içara em Santa Catarina. 

Os Trabalhos de Campo foram memoráveis, experiências que carrego no coração a até hoje. As Escavações em Içara, Santa Catarina, um sítio com muitos restos de alimentação, sepultamentos, uma equipe de muitos bolsistas, estudantes, graduandos e pós-graduandos, além de todo o interesse da comunidade local que visitava, tal qual uma procissão o canteiro dos trabalhos. 

Outro grande trabalho foram as pesquisas no “Pantanal”, Projeto Corumbá, ter tido a possibilidade de conhecer, identificar e levantar um patrimônio arqueológico até então praticamente desconhecido, entrar em contato com toda uma cultura ligada ao rio, a pesca, a criação de gado, foi fundamental na minha formação de arqueólogo.

Março do 1992 marca a colação do Grau de Licenciado em História. Inicia-se então a preparação do projeto de pesquisa com vista ao Mestrado. O objetivo, a PUCRS, que abrira recentemente uma área de concentração em Arqueologia no seu Curso de Pós-Graduação em História. Era a oportunidade de obter a titulação de Arqueólogo. 

O projeto de Mestrado foi uma continuação da pesquisa iniciada na graduação e toda a vivência dos últimos anos no Anchietano. O objetivo foi estender a análise realizada em apenas um sítio para os outros três que faziam parte da mesma área. Durante o curso, fui aluno de Arno A. Kern, Klaus Hilbert, José J. Proenza Brochado, Paula Caleffi, Bartomeu Meliá e Pedro Ignácio Schmitz.

A orientação da dissertação coube a Pedro I. Schmitz e Arno A. Kern, em função de um acerto entre o PPGH-PUCRS e o Instituto Anchietano de Pesquisas, para que fosse possível a utilização do acervo depositado nesta última instituição.

Em março de 1995 iniciei como pesquisador, agora contratado, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos lotado no IAP com a função de auxiliar na informatização dos projetos, participar das pesquisas de campo e laboratório e no atendimento às escolas no museu.

Ao longo destes anos participei dos projetos desenvolvidos pela casa:  Projeto Ivotí - RS, Programa Arqueológico do Mato Grosso do Sul (Projeto Alto Sucuriú e Projeto Corumbá), Programa Arqueológico de Goiás no Projeto Paranaíba, Projeto Quintão- RS, Projeto Içara - SC, Projeto Arqueologia do Planalto Meridional: Campos de Vacaria, RS, Brasil, Projeto Taió, Projeto São José do Cerrito, Projeto Estâncias Missioneiras. 

Os trabalhos consistiam no levantamento, localização, prospecção, avaliação e escavação dos sítios. Em laboratório participei das atividades de análise e organização dos dados. 

No ano de 1998, a partir de agosto, comecei a trabalhar nas disciplinas de Arqueologia e Pré-história do curso de Graduação em História da Universidade do Vale do Rio do Sinos - UNISINOS. Atividade que desempenhei até julho de 2020

O ano de 2000 marca meu ingresso no curso de Pós-Graduação, nível de Doutorado, da UNISINOS. Grau que colei em 2004. 

Essa é um pouco de minha trajetória na Arqueologia, não vejo como uma profissão, mas antes uma forma de ver o mundo. A arqueologia, por definição, é uma das áreas das ciências humanas que mais nos convida a transitar entre diferentes áreas de conhecimento. Não é incomum você encontrar nas equipes de arqueologia profissionais da Botânica, Zoologia, Geologia, Cartografia, História, Física, Matemática entre outras. Essa diversidade, caracteriza a essência da Arqueologia, a Interdisciplinaridade, isso que a torna tão fantástica e atraente, pois, permite explorar o passado humano a partir de todas as suas facetas, tendo a certeza, que a realidade é muito mais complexa do que podemos perceber. 

Ainda mostro umas fotos de projetos em que participei.



Arte Rupestre - Sítio MS-PA-04 -  Alto Sucuriú-MS.



Casa Subterrânea em São José do Cerrito, 2007.



Escavação em São José do Cerrito, dezembro de 2013.




Sondagens em Arroio do Sal, maio de 2008.


Projeto Estâncias Missioneiras, Estância Queimada, julho de 2017.


Projeto Estâncias Missioneiras, Passo do Aferidor, julho de 2017. 


Texto e Imagens:  Prof. Dr. Marcus Vinícius Beber









sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Antigas estâncias de jesuítas - Parte II

ANTIGAS ESTÂNCIAS DE JESUÍTAS 3

 As estâncias jesuíticas de Córdoba, na Argentina e de Rio de Janeiro, no Brasil

Os jesuítas da Província do Paraguai mantinham em Córdoba, seu principal centro de formação, várias obras importantes: a Igreja, a Universidade, o Colégio interno de Nossa Senhora de Monserrat, e o Noviciado. Por ocasião da expulsão, havia 131 jesuítas em Córdoba, mais que no conjunto das missões indígenas. Grande parte da sustentação dessas obras vinha de grandes estâncias originadas de doações ou mercês reais, de legados particulares e de pequenas aquisições.

As fazendas cobriam amplos terrenos próximo à cidade, abasteciam as respectivas casas e ofereciam consideráveis volumes de mercadorias ao mercado colonial; com a venda destas, as casas cobriam outras necessidades, que não conseguiam produzir com os próprios meios. São, principalmente, as estâncias de Alta Gracia, de Caroya, de Santa Catalina e de La Candelaria, com produções diferenciadas. 

Cada estância era administrada por dois religiosos (um padre e um irmão, ou dois padres), ligados às respectivas comunidades jesuítas da cidade, que podiam ser ajudados por índios e mestiços contratados. Mas a mão-de-obra fundamental era constituída por numerosa escravaria de origem africana.

Criava-se gado de corte e de serviço. Plantava-se, em escala, trigo e milho, mais uvas, pêssegos, marmelos, romãs e figos. Jesus Maria chegou a ter grandes vinhedos com até 48.000 cepas para produção de vinho, outra estância tinha produção de pêssegos, com dezenas de milhares de pés. Para irrigação das plantações e dos pomares, e como força motriz para os moinhos de milho e trigo, eram construídas represas e se cavavam longos canais. Era importante para o mercado colonial o tecido de lã e de algodão produzido nos seus teares.

O melhor negócio era a criação e invernada de mulas, que eram vendidas para as estâncias de Santa Fé e de Buenos Aires ou para as minas de Potosi. Alta Gracia criava as mulas e Candelária as pastoreava antes da venda, rendendo anualmente entre 800 a 1.300 animais para o mercado.

A produção era feita por numerosa mão-de-obra escrava; seu resultado, na legislação eclesiástica do tempo, era considerado produto da terra e podia ser vendido para o mercado; mas era vedado aos religiosos comercializar o resultado de atividades de índios contratados, que também podiam ser muitos. Santa Catalina chegou a ter 406 escravos africanos para cuidar das 12.000 cabeças de gado, 6.000 ovelhas, 6.000 mulas, de movimentar os teares, a ferraria, a carpintaria, os dois moinhos e o monjolo. De maneira semelhante funcionavam as outras estâncias dos jesuítas de Córdoba.

Para abrigar os trabalhadores da estância se construía um grande quadrilátero, geralmente de dois pisos, com uma só entrada de fácil controle. Nele arranchavam os africanos e estavam instaladas as oficinas, a adega do vinho, o depósito dos alimentos e se guardavam os produtos. Um dos lados da construção era ocupado pela residência dos religiosos e pela igreja para a realização do culto, pois todos os trabalhadores eram cristãos. Algumas dessas igrejas foram construídas por famosos arquitetos jesuítas missioneiros e são muito bonitas. 

A moradia dos religiosos não só estava separada e sujeita a clausura eclesiástica, como era vedado aos jesuítas administradores visitar os escravos em seu trabalho.

As outras instituições urbanas dos jesuítas (os colégios) também se apoiavam em estâncias movidas a numerosa mão-de-obra escrava, em média mais de cem indivíduos, a única disponível.

Nota: O tópico foi escrito a partir de Carlos Page, 2016, El camino de las estancias. Las estancias jesuíticas de Córdoba y la Manzana de la Compañía de Jesús, Patrimonio de la Humanidad. 2ª. Ed. Córdoba, Argentina,especialmente do capítulo Las estancias jesuíticas, p. 103-132.

 

A Fazenda de Santa Cruz, do Colégio do Rio de Janeiro pertencia aos  jesuítas portugueses da Província do Brasil. Fazenda era o termo para estas estruturas no Brasil. 

O regime da missão indígena do Brasil era diferente daquele da Província jesuítica do Paraguai. As missões eram estabelecidas na proximidade do núcleo português e os índios trazidos para elas, para defender de invasores e piratas o litoral com suas cidades e para auxiliar os fazendeiros portugueses em suas atividades agrícolas. O fazendeiro podia solicitar à missão a cedência do número de índios necessários, por alguns meses do ano, comprometendo-se a pagar a jornada prevista em lei. Com isso, as missões não dispunham de abundante mão-de-obra para seus próprios trabalhos, não acumulavam e criavam patrimônio como as reduções espanholas, o que é manifesto quando olhamos o que sobrou das correspondentes sedes, onde sobraram igrejinhas sem arte, muito mal posicionadas na relação com os templos das missões espanholas. A missão era um serviço prestado a partir dos colégios nas cidades e sustentado por eles. Isto posto, pode-se entender o que segue.

 No século XVI, o rei de Portugal fundou (no sentido de sustentar) o Colégio do Rio de Janeiro como sede e sustento dos missionários que trabalhariam espalhados pelas Aldeias (missões) indígenas da costa do Brasil; a fundação previa abrigo e sustentação para 80 missionários. Além da fundação, o colégio tinha propriedades para ajudar a sustenta-lo.

Sua principal fazenda se denominava Santa Cruz. Através de doações e compras, ela chegou a ter 10 léguas de terra em quadra e se estendia desde a marinha até a Serra de Matacões, em Vassouras.

Em 1742 a Fazenda Santa Cruz tinha 7.658 cabeças de gado bovino, 1.140 equinos e 200 ovinos. Ela costumava fornecer 500 cabeças de gado bovino para sustento do Colégio, além dos bois necessários para os trabalhos próprios e de outras fazendas dos jesuítas. Ainda cultivava mandioca, feijão e algodão.  

A mão-de-obra eram 700 escravos de origem africana, que em sua maior parte se encarregavam do pastoreio. Outros ocupavam-se em amansar cavalos, e os mais industriosos, nas diversas oficinas da fazenda. As mulheres tratavam, sobretudo, da cultura da terra de que se tirava grande quantidade de farinha de mandioca e legumes. Na fazenda eram produzidas, ainda, telhas e ladrilhos e se extraía madeira de toda a espécie para construções. 

O trabalho era feito por escravos porque os índios das missões, em que trabalhavam os missionários, atendiam os fazendeiros portugueses ou demandas de autoridades. 

 A Fazenda de Santa Cruz formava um povoado, com o indispensável para uma vida civilizada: igreja, residência de sobrado, hospedaria, escola de ensino rudimentar e de catequese, hospital, cadeia, além de variadas oficinas de trabalho, como ferraria, tecelagem, carpintaria, olaria, casa de cal, casa de farinha, descascador de arroz, curtume, alambique, engenho de açúcar, estaleiro no qual se fabricavam canoas e até sumacas. 

O pessoal da fazenda distribuía-se por centenas de habitações. Só o núcleo central reunia 232 casas de escravos, em que essas famílias viviam independentemente. 

Sem fazendas e outros investimentos ainda maiores, como engenhos de açúcar, nenhum colégio do Brasil colonial teria condições de se manter.

Nota: O tópico foi escrito a partir de Serafim Leite, SJ 2004. História da Companhia de Jesus no Brasil, tomos IV- V-VI. São Paulo, Edições Loyola, p. 433s.

 

 

ANTIGAS ESTÂNCIAS DE JESUÍTAS 4

 

Bolichos na Estância de Yapeyú, em Uruguaiana

O bolicho era uma instituição característica da Campanha gaúcha. Na beira do caminho, ele tinha funções alimentícias oferecendo cachaça, fumo, erva-mate, bolachas, salame, queijo, farinha de mandioca, talvez algum refresco e mais produtos para desapertar a fome e sede de um viajante a cavalo ou de carreta. Ele era também um lugar de eventual pousada, de encontro social e namoro furtivo da peonada com as moças da casa, de briga e luta.

Na pesquisa que o Instituto Anchietano fez sobre a antiga estância da redução de Japejú, ele encontrou duas construções missioneiras que tinham sido transformadas em bolichos de beira de estrada. Com a expulsão dos jesuítas em 1768, os prédios passaram a uma população lusa, especialmente militares das guerras do Prata, que continuaram a criar gado, agora em condições diferentes e propriedades mais divididas. 

Ao tempo dos jesuítas, os índios que trabalhavam na estância eram providos pela redução daqueles bens que não se produziam localmente (carne, alguma verdura, talvez um pouco de milho), fornecendo erva-mate, fumo, milho, roupas básicas para os índios, e artigos para o culto e para o sustento dos administradores religiosos. Com o sistema de propriedade introduzido pelo estado brasileiro após a retirada dos jesuítas, mudou a estrutura do campo, dividido agora em pequenas sesmarias com poucos proprietários, alguns peões e inúmeros desocupados vagamundos e biscateiros. O bolicho tornou-se, então, especialmente para os vagamundos sem emprego e pouso estável, um lugar de abastecimento ocasional de alimento e bebida, de pousada e encontro social à sombra de um umbu. 

Em nossa pesquisa encontramos dois antigos bolichos, instalados em construções missioneiras, um no primeiro casco da Estância San José, junto a uma estrada secundária, perto do rio Quaraí (Figura 1), outro no casco definitivo da estância (hoje, Redentora) na proximidade do Passo dos Moura no alto rio Ibirocai, junto ao Caminho Real (Figura 2). Ambos desativados. 

 

Figura 6. Antigo bolicho num dos prédios missioneiros do casco da Estância São José, junto ao rio Quarai. Três prédios paralelos formavam o conjunto habitacional da estãncia. O bolicho era administrado pelo tio do atual proprietário e morador.


Para entender o contexto e a história do bolicho do campo sirvo-me de Aníbal Barrios-Pintos em seus 400 años de Historia de la Ganadería en Uruguay (2011).

Durante la Cisplatina, al pacificarse el país, se extendieron [las pulperías] como mancha de aceite, a lo largo y ancho de todo el territorio nacional teniendo como sede las estancias de los vecinos principales (p. 167). (Durante a Cisplatina, ao se pacificar o país, os bolichos se estenderam como mancha de óleo por todo o território nacional [Uruguay, mas também o Rio Grande do Sul], tendo como sedes as estâncias dos moradores principais.)

Algunos pulperos fueron después proprietarios de estancias (p. 167). (Alguns bolicheiros foram posteriormente proprietários de estâncias.)

Segundo Zavala, "muchos hacendados se meten también a pulperos con lo que los peones con la ocasión de tener aguardiente a manos todos los días se ven precisados a hurtar para vestirse."  (p. 170). (Segundo Zavala, muitos fazendeiros se metem também a bolicheiros com o que os peões, para ter acesso cotidiano a aguardente, se veem obrigados a furtar para se vestir.)

Já em 1792 os bolicheiros volantes tinham-se tornado um problema, e uma Providência, ordenaba la extinción de las pulperías volantes de los mercachifles de la campaña, causa, según los hacendados, de que las noches de luna los cuadreros hicieran matanzas en los rodeos para luego vender los cueros. (p. 174). (A Providência de 1792 ordenava a extinção dos bolichos volantes dos mercadores ambulantes do campo, que, segundo os fazendeiros, era causa de em noites de lua os quatreiros fazerem matanças nas estâncias para logo vender os couros.)

Em 1831, o general Fructuoso Rivera prendeu muita gente entre vagos e gauchos, representados por correntinos, missioneiros, entrerrianos, desertores, alguns criollos e algum francês, italiano, português e vizcaíno, quase todos estes últimos com bolichos volantes (p. 170).



Figura 7. Antigo bolicho instalado no casco da Estância Redentora. As construções desta formam um quadrilátero com três lados em pedra canteada, não rebocada. O antigo bolicho, que forma o quarto lado (nos fundos da foto) é mais recente, provavelmente posterior ao período missioneiro. 

Os bolichos instalados em construções independentes ou ligados a estâncias, duraram mais tempo, mas perderam sua função com a melhoria das estradas e cavalo e a carreta foram substituídos pelo automóvel e o caminhão. 

Estas poucas citações servem para nos darmos conta do papel e da importância do bolicho do campo no século XIX e começo do século XX. Ele marcava a paisagem como parte da estrutura dos campos, com seus núcleos fechados no casco das estâncias e os solitários caminhos subindo e descendo coxilhas, sem sombra, sem abrigo, alimento, bebida e companhia para o cavaleiro ou carreteiro solitários. 

Nota: O texto foi escrito a partir de BARRIOS-PINTOS, A. 2011. 400 años de Historia de la Ganadería en Uruguay. Segunda edición corregida, aumentada e ilustrada. Con prólogo de Ana Ribeiro. Edición Cruz del Sur. 

 

 

Concluindo

 

A comparação entre as três amostras ensina que a estância missioneira segue um modelo próprio, que a separa das estâncias de Córdoba e da fazenda do Rio de Janeiro, especialmente pela sua mão-de-obra e a filosofia de trabalho. Nas reduções a estância é bem da comunidade, é atendida em serviço comunitário por membros que a sociedade sustenta. As estâncias de Córdoba e a fazenda de Santa Cruz são propriedade de comunidades religiosas, que compram sujeitos para seu manejo e os incorporam entre seus bens, junto com casas, terrenos e bois.  Como a legislação eclesiástica do tempo os considerava propriedade do colégio, e o fruto de seu trabalho um produto natural, estava liberado para venda; não assim o produzido pelo trabalhador assalariado. Os escravos eram bens importantes para os colégios poderem prestar seu atendimento gratuitamente e os administradores estavam atentos a que nunca houvesse falta deles. 

Com relação às missões também aparece a diferença entre a legislação espanhola e a legislação portuguesa. As reduções espanholas tinham alcançado um status de certa autonomia, funcionando as comunidades à semelhança de municípios, ao passo que as missões portuguesas eram pensadas como auxiliares na colonização.


Texto: Prof. Dr. Pedro Ignácio Schmitz

Imagens:  Acervo I.A.P.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Antigas estâncias de jesuítas - Parte I


Nota
: Os dados da postagem são partilhados com o texto coletivo assinado por Rogge, J.H.; Schmitz, P.I.; Vargas, J.A.; Beber, M.V.; Ferrasso, S.; Clos, D.A. 2020. A grande estância de Yapeyú. Pesquisas, Antropologia 75. Os dois textos foram criados paralelamente.

Em Antropologia 75 (2020) está o texto inteiro,

 

Introdução

No século XVII os jesuítas espanhóis fundaram 60 reduções de nativos na bacia do Rio da Prata e um colégio em cada cidade dos colonizadores, dois em Buenos Aires. Os jesuítas portugueses, nos séculos XVI e XVII, fundaram 60 missões indígenas no Estado do Brasil, mais 29 no Estado do Maranhão e Grão-Pará, além de colégios nos principais assentamentos da colonização portuguesa. 

A sustentação principal das obras vinha de fundações e mercês reais ou provinciais, de numerosos legados testamentários e de esmolas ocasionais. Mas só com isto as obras não chegariam a viver, porque os serviços, tanto nas missões, como nos colégios, eram gratuitos e envolviam grande número de pessoas. Para a subsistência era necessário criar recursos próprios através do cultivo de plantas com grande produtividade e da criação de rebanhos de animais, que fornecessem alimentos diretamente utilizáveis, ou elementos passiveis de elaboração para consumo posterior ou comercialização. Da comercialização vinham os recursos para comprar bens não comestíveis, mas necessários para o trabalho, a casa, o vestuário, o templo, o culto, a festa, as viagens. 

Sucessivamente libero quatro postagens relacionadas com estas instituições:

 1. A estância de criação de gado para alimento dos moradores, em reduções da Província do Paraguai; 

2. As estruturas construídas da estância missioneira de São Sebastião, em Uruguaiana; 

3. As estâncias de produção de bens para o mercado nas instituições de Córdoba, (Argentina) e de produção variada de bens para consumo e venda na Fazenda Santa Cruz, do colégio do Rio de Janeiro; 

4. Bolichos coloniais na Estância de Yapeyú, em Uruguaiana.

Dou mais importância à primeira e segunda postagens; uso a terceira para contraste; a quarta, como reaproveitamento de prédios missioneiros, em Uruguaiana. 

As estâncias da Argentina e as fazendas do Brasil são administradas por jesuítas, seguem orientações comuns, mas divergem em bastantes aspectos. Talvez o mais importante seja a mão-de-obra, que na estância missioneira é toda indígena em regime de trabalho comunitário, as do item 3 só usam mão-de-obra escrava, ou contratada. 

 

As estâncias na Província do Paraguai e a estância de Yapeyú

 

A estância de criação de gado não é o único e mais importante sustento das reduções na Província do Paraguai. Cada um dos caciques da redução dispunha de um pedaço de chão destinado a produzir o sustento básico para as famílias que o seguiam; é o chamado Avambaé, propriedade do homem, em cuja produção eles ocupavam alguns dias da semana, ou temporadas durante o ano. Ao lado do Avambaé existia o Tupambaé, o bem comunitário, no qual o cacique e seguidores trabalhavam outros dias da semana, ou temporadas durante o ano. Do Tupambaé fazia parte o erval nativo e o cultivado, a plantação de algodão para fabricação de tecido, a de cana para produção de açúcar, a de tabaco para o fumo; a estância para carne, leite, couros, lã, o transporte e a tração; mais os serviços a eles relacionados. 

Depois de concluir o estudo das estruturas materiais da grande Estância de Yapeyú, conservadas no município de Uruguaiana, cremos existirem elementos adequados para dizer o que era a estância missioneira, quem nela morava, como se administrava e o quê e para quem produzia. Vejamos:

A redução de Yapeyú foi criada em 1627 na margem direita do rio Uruguai, como a mais meridional delas. Sua estância de criação de gado estendia-se dali para o sul, por ambas as margens do rio, cobrindo uma superfície de uns quatro milhões de hectares de campo. Sua estruturação começou em 1657, com a criação do primeiro casco, e se desenvolveu até 1768, quando os jesuítas foram retirados da administração, e os índios missioneiros, que nela trabalhavam, ficaram sem lugar definido na estrutura social surgida.

O objetivo da estância era reunir, criar e administrar animais, principalmente vacas para alimento dos nativos da missão, que chegaram a somar 8.000 pessoas; ela também fornecia animais para outras reduções, quando necessitadas. Com o tempo ela acrescentou postos para criação de bois de serviço, vacas de leite, cavalos, mulas e ovelhas.

Para isto se criavam sedes (cascos), onde eram levantadas estruturas para habitação dos encarregados e para o manejo dos animais. No século XVII os animais da estância vinham da caça do gado selvagem, que se tinha multiplicado para milhões em grandes vacarias, produzidas intencionalmente pelo homem largando reprodutores em espaços desabitados. A partir do século XVIII, com o esgotamento das vacarias por exploração desordenada, animais recolhidos foram confinados em espaços limitados, onde se podia controlar a reprodução e regularizar a produção para a redução.

 As estruturas que se foram levantando compunham-se de moradias para os nativos com suas famílias, de moradia para o administrador jesuíta (um irmão, às vezes mais um padre), de capela para os serviços religiosos mais o cemitério, de currais ou mangueiras de pedra, de potreiros fechados por taipas ou estacadas, e de campos extensos onde o gado pastava livremente. Com certa regularidade os animais tinham de ser juntados em rodeios para acostumá-los com a presença do homem, para contar suas crias, controlar suas doenças, separar lotes para o envio à redução ou para venda a outras missões. Havia capatazes para diversas obras, mas a coordenação geral competia ao irmão.

Além dos cascos, onde se concentravam pessoas e atividades, existiam postos avançados, principalmente nos limites da estância por onde o gado poderia fugir ou ser desviado, e nos passos dos rios e arroios, para facilitar sua transposição, nos quais também moravam famílias, com um capataz para coordenar as atividades e atender as necessidades dos moradores. 

Em nossa pesquisa foram estudados os cascos seguintes: Santiago, mais próximo ao rio Ibicuí, criado em 1657; São José, perto do rio Quaraí, criado em 1694; São Sebastião e Redentora, no alto rio Ibirocai, criados ao redor de 1730. As principais estavam ao longo do ‘Caminho Real’, em cuja boca estava o Aferidor. Provavelmente eles atuaram até a expulsão dos jesuítas. (Ver figura 1). 



Figura 1. Área da pesquisa.


Nos estudados percebe-se uma evolução construtiva, que acompanhou a de algumas, não todas, as sedes de reduções. No primeiro casco (Santiago), as moradias ainda tinham paredes de adobe e telhado de palha; os currais eram circundados por estacadas reforçadas com grandes blocos de pedra; os potreiros eram fechados, complementarmente, por arroios, por valos cavados e por taipas de pedra. No casco de São José, as moradias junto aos currais continuam sendo de adobe, e os currais são de pedra. As habitações da administração são de pedra, e cobertas com telha-canoa. Nos cascos de São Sebastião e da Redentora as moradias são de pedra trabalhada, a cobertura de telha-canoa, as portas e janelas encimadas por arcos romanos ou rebaixados, sinal da renovação arquitetônica das missões, no século XVIII.

A estância era responsabilidade do Cabido missioneiro. A execução era do pároco da redução e de seu companheiro, o qual visitava periodicamente o campo, onde um irmão jesuíta coordenava as atividades.

Somando cascos e postos, na estância podiam morar até umas 170 pessoas, entre homens, mulheres, jovens, adolescentes e crianças. Eles não recebiam salários porque faziam trabalhos comunitários do Tupambaé e eram abastecidos pela sede naqueles bens que não produziam localmente. Sob todos os pontos de vista eles continuavam membros da missão e eram convidados a seguir seus horários, ritos e costumes, mesmo na ausência do padre e do irmão. Os religiosos tinham a moradia separada dos índios e sujeita a clausura eclesiástica.

A estância, apesar de sua grande extensão e reunião de número considerável de animais, nunca foi grande negócio, porque sempre esteve sujeita a peripécias (secas, gafanhotos, zoonoses, ataques de índios seminômades, conflitos de fronteira) e grandes solicitações tanto da redução como do governo provincial. Só as construções das estâncias de São Sebastião e da Redentora chegaram a ter algum estilo. Mas, sem a estância, a redução não teria sobrevivido.

Com a retirada dos jesuítas, em 1768, e a introdução do novo estilo de propriedade e de manejo, não mais comunitário, mas capitalista, o índio ficou desempregado e sem experiência para competir no mercado de trabalho. As comunidades missioneiras, que mantiveram o velho sistema no território de Missões, levaram mais algumas décadas para desaparecer.

 

ANTIGAS ESTÂNCIAS DE JESUÍTAS 2

 

As estruturas construídas da estância São Sebastião, em Uruguaiana

 

Vou mostrar a estrutura do casco da estância São Sebastião. Ela começou ao redor de 1730 e continua habitada e funcionando até hoje, embora sob administrações diferentes: primeiro missioneira, depois espanhola, agora brasileira. Os edifícios básicos que mostro ainda são missioneiros e apresentam elementos arquitetônicos trazidos por irmãos e padres jesuítas formados na Itália, na Espanha e na Alemanha.  

Veja localização na figura 1.

 


Figura 2. Croqui da estância São Sebastião feito por Jairo Rogge.

 


Figura 3. Estância São Sebastião, setor central: residências e serviços. 


Quadrado com um só acesso por um portão. Os prédios missioneiros em pedra canteada, sobreposta sem argamassa e sem pintura, com telhado em uma água voltada para o centro, onde existe um poço ou cisterna, que recolhe água do telhado. As construções posteriores são em tijolo e o telhado em duas águas.


 


Figura 4: Estância São Sebastião, setor dos coordenadores religiosos.


Prédio em pedra canteada e coberto por telha-canoa. Ele era a residência do irmão e do padre e estava separado do setor de moradias e serviços dos trabalhadores e ainda resguardado por muros. Ele tinha seu próprio poço ou cisterna. Nele aparece bem a arquitetura renovada, na qual também se construíram as igrejas missioneiras do período.



Figura 5: Estância São Sebastião, a igreja.

Prédio em pedra canteada e originalmente coberto por telha-canoa. Tinha um portão arqueado em ambas as extremidades, janelas dispostas simetricamente em ambos os lados e nenhuma repartição interna. Serviria de igreja para a população da estância e de postos avançados, em suas missas e devoções.  

Para melhor perceber a identidade da estância missioneira, no próximo item se disponibilizam dados sobre outras estâncias, mantidas também por jesuítas na mesma época, as estâncias jesuíticas de Córdoba, na Argentina e a fazenda Santa Cruz do Rio de Janeiro.



 


terça-feira, 4 de agosto de 2020

COLEÇÕES DO HERBÁRIO ANCHIETA-PACA E SUA IMPORTÂNCIA NA DISSEMINAÇÃO DE DADOS EM NÍVEL MUNDIAL



O Herbário Anchieta/PACA, integrante do Instituto Anchietano de Pesquisas-UNISINOS, localizado no Campus São Leopoldo, é o segundo maior do estado e conta com aproximadamente 143 mil exemplares de diferentes espécies. Suas coleções estão compostas por Angiospermas, Gimnospermas, Licófitas, Samambaias, Briófitas, Liquens, Algas, que representam grande parte da vegetação do Rio Grande do Sul e também de muitos biomas brasileiros.

Os dados do acervo destas coleções, estão inseridos num banco de dados próprio para o herbário, que constantemente é atualizado. Estas informações foram disponibilizadas desde 2014 na Rede Specieslink, que é uma rede colaborativa, que conta com a participação de centenas de coleções biológicas do país e do exterior, cujo objetivo principal é dar acesso a qualquer interessado aos dados dos acervos mantidos pelas coleções, além de dados de observação. O sistema de informação foi desenvolvido e é mantido pelo CRIA (Centro de Referência em Informação Ambiental) e permite, além do acesso aos registros, uma série de análises através da produção de mapas, gráficos e relatórios dinamicamente. Imagens em alta resolução, estão sendo incorporadas aos dados permitindo a visualização do espécime e comparação entre exemplares depositados em diferentes coleções. Uma série de ferramentas estão disponíveis com o objetivo de auxiliar as coleções na análise e melhoria da qualidade dos dados uma vez que a guarda e controle dos dados disponibilizados é de total responsabilidade de cada coleção.

As coleções do Herbário PACA tiveram um total de 3.540.881 (três milhões quinhentos e quarenta mil e oitocentos e oitenta e um) acessos aos dados, no período de 01 de janeiro a 10 de julho de 2020, através da Rede Specieslink.


 



Figura 1: Registros do Banco PACA – AGP utilizados em 2020 e seus tipos de uso.






Figura 2: Registros do Banco PACA – Briófitas utilizados em 2020 e seus tipos de uso.





Figura 3: Registros do Banco PACA – Fungos utilizados em 2020 e seus tipos de uso.







Figura 4: Registros do Banco PACA – Algas utilizados em 2020 e seus tipos de uso.






Figura 5: Registros do Banco PACA – Líquens utilizados em 2020 e seus tipos de uso.

 


 

Também os dados das coleções estão disponíveis no GBIF (Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade), que é uma rede internacional de infraestrutura de investigação financiada por governos de todo o mundo, com o objetivo de dar a qualquer pessoa, em qualquer lugar, acesso aberto a dados sobre toda a vida na Terra. Através do GBIF no primeiro semestre de 2020, tivemos as citações em 181 artigos utilizando os dados das coleções de Angiospermas, Gimnospermas, Licófitas e Samambaias. A coleção de Fungos teve a citação em 38 artigos, a coleção de Briófitas foi citada em 33 publicações e a de Algas em 02 artigos.

 


PACA

AGP

PACA

Fungos

PACA

Briófitas

Estados Unidos

59

Estados Unidos

14

Estados Unidos

17

Reino Unido

32

Reino Unido

13

Reino Unido

10

Brasil

28

Alemanha

10

Alemanha

9

Austrália

24

França

8

Brasil

8

Alemanha

24

Austrália

6

França

8

França

21

Brasil

6

Austrália

6

Suíça

16

China

5

Dinamarca

5

Holanda

16

Dinamarca

4

China

4

Canadá

15

Japão

4

Holanda

4

China

14

Holanda

4

Nova Zelândia

4

Espanha

14

Nova Zelândia

4

África do Sul

4

África do Sul

13

África do Sul

4

Chile

3

Dinamarca

11

Suíça

3

Colômbia

3

Suécia

11

Suécia

3

Israel

3

Colômbia

10

Áustria

2

Federação Russa

3

Noruega

8

Canadá

2

Suécia

3

Nova Zelândia

8

Chile

2

Áustria

2

Peru

7

Colômbia

2

Canadá

2

Áustria

7

Estónia

2

República Checa

2

Índia

5

Índia

2

Estônia

2

Total: 343

Total: 100

Total: 102

 

Tabela 1: País ou área do pesquisador que mais utilizaram os dados, de acordo com o GBIF.



Figura 6: Principais assuntos em que os dados das angiospermas, gimnospermas, licófitas e samabaias foram utilizados, de acordo com o GBIF.


 

Figura 7: Principais assuntos em que os dados das briófitas foram utilizados, de acordo com o GBIF.

 

 

PACA AGP

PACA Briófitas

PACA Fungos

Revistas

Editora de Revista

Revistas

Editora de Revista

Revistas

Editora de Revista

Global Ecology and Biogeography

Wiley

Scientific Reports

Wiley

Journal of Biogeography

Wiley

Proceedings of the National Academy of Sciences

Elsevier BV

Biodiversity Data Journal

Springer Nature

Scientific Reports

Springer Nature

Scientific Reports

Springer Nature

Biodiversity Information Science and Standards

Pensoft Publishers

Biodiversity Data Journal

Springer Science and Business Media (LLC)

Wikipedia

Springer Science and Business Media (LLC)

Journal of Biogeography

Springer Science and Business Media (LLC)

Methods in Ecology and Evolution

Elsevier BV

bioRxiv

Oxford University Press (OUP)

Nature

Cold Spring Harbor Laboratory

Nature Ecology & Evolution

Pensoft Publishers

Journal of Biogeography

Cold Spring Harbor Laboratory

Nature Ecology & Evolution

Elsevier BV

bioRxiv

Cold Spring Harbor Laboratory

Nature Ecology & Evolution

Pensoft Publishers

Neotropical Diversification

Springer International Publishing

IEEE 14th International Conference on e-Science (e-Science)

Oxford University Press (OUP)

 

Tabela 2: Revistas e editoras mais citadas de cada coleção nas publicações    


Coleções científicas e dados associados devem ser considerados como infraestrutura de pesquisa. Durante séculos, cientistas vem sistematicamente registrando suas observações de pesquisa e publicando os resultados obtidos. Mas não havia, qualquer preocupação em manter os dados primários de observação e coleta ou de disseminá-los para pesquisadores de outras áreas do conhecimento, nem tampouco existia a preocupação em preservá-los para as futuras gerações. Com o avanço da tecnologia de informação e comunicação, houve também uma evolução na organização e no pensamento científicos, criando demandas distintas por diferentes tipos de dados. Com a tecnologia e a própria demanda científica em constante evolução e com o fortalecimento da ciência para o benefício da sociedade, é fundamental promover o livre acesso a dados e informações. O progresso científico depende do acesso pleno a dados e da divulgação científica aberta dos resultados de pesquisas na literatura. Um forte componente de dados e informações acessíveis e em domínio público promove maior retorno do investimento, estimulando a inovação e a decisão informada. A integração de dados de diferentes disciplinas, de diversos espaços geográficos, analisados por pesquisadores também de disciplinas distintas e de origem cultural diversa, abre caminho para novas perguntas e para a inovação.


Maria Salete Marchioretto